Preocupa a queda da cobertura vacinal no país. Dados referentes a 2018 mostram que houve queda na quantidade de crianças imunizadas em relação a anos anteriores, e das oito principais vacinas indicadas a bebês, apenas uma atingiu a meta, a BCG, que previne tuberculose e costuma ser aplicada nas maternidades. As demais - meningite, hepatite A, pneumonia, rotavírus, poliomielite, e as duas restantes, uma que previne difteria, tétano, coqueluche e outras doenças, e outra contra sarampo, caxumba e rubéola - tiveram cobertura entre 80% e 91,5%, inferior ao nível recomendado de 95%. Os números mostram redução de crianças até um ano vacinadas nos últimos três anos, embora tenha havido ligeira recuperação ou estabilidade em 2018. Há, portanto, sério problema de saúde pública em curso, que não se limita à imunização infantil. A recente mobilização contra a gripe não atingiu o objetivo traçado no Brasil, com apenas 75% da população alvo atingida. No Estado de São Paulo, os números do fim de maio mostravam que foram alcançadas apenas 65% dos 13,2 milhões de pessoas nos grupos que deveriam receber a proteção. Na Baixada Santista, vários municípios ficaram aquém do objetivo de 90% da população-alvo.No dia 30 de maio, véspera do final da campanha, apenas Santos havia conseguido alcançar a meta (chegou, no final, a 95,3%), mas as demais cidades ficaram abaixo, em alguns casos bastante distantes, como foi o caso de Itanhaém (57,0%) e Peruíbe (69,1%). Há explicações para o que vem acontecendo. Especialistas alertam que a redução do público vacinado é séria ameaça, e doenças graves podem acometer especialmente crianças. Um dos pontos levantados é a falsa sensação de segurança devido ao sucesso das políticas de vacinação: descuidos e omissões podem reverter a situação em pouco tempo. Outra é o avanço de informações falsas sobre as vacinas, disseminadas em redes sociais, que propagam mentiras a respeito de seus efeitos. Existem questões que devem ser motivo de preocupação das autoridades. Uma delas é o aumento do número de vacinas necessárias, fazendo com que os pais tenham que ir nove vezes aos postos no primeiro ano de vida das crianças, e muitas mães, que hoje trabalham, têm dificuldades de levar seus bebês tendo em vista o horário limitado das unidades de vacinação. Vale também ressaltar o longo tempo nas filas, fato notado na região na recente campanha contra a gripe. Esclarecimento e informação são essenciais e o trabalho necessário precisa ser feito, em parceria com entidades da sociedade civil.Vacinas salvam vidas e evitam doenças muito graves, mas cabe também à rede pública de saúde organizar-se melhor para atender à população, tanto ampliando horários de atendimento como aumentando as equipes de vacinação.