[[legacy_image_232539]] O universo da Educação aguarda ansioso pelos primeiros pronunciamentos e as primeiras medidas a serem adotadas, a partir de janeiro, pelo ministro da Educação indicado por Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se de Camilo Santana (PT), 54 anos, ex-governador do Ceará. O estado que dirigiu por oito anos tem, desde o governo de Ciro Gomes (PDT), uma das melhores performances no ensino público, com políticas que valorizaram o corpo docente, investiram em escolas de tempo integral e, nos últimos 20 anos, fizeram o estado figurar no topo dos rankings que avaliam o desempenho dos estudantes da educação básica. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Camilo leva com ele para o ministério Izolda Cela, atual governadora do Ceará, que ocupará a titularidade na Secretaria Executiva ou da Educação Básica, ambas de alto relevo na condução das políticas públicas para os próximos quatro anos. Izolda foi a responsável pela revolução no ensino de Sobral, a maior referência cearense em educação pública. Não serão poucos nem fáceis os desafios de Santana. Especialmente na Educação, a sucessiva troca de comando nos últimos anos - cinco no total - provocou uma fragmentação do setor, que nem deu continuidade aos programas que já existiam, nem ganhou musculatura para colocar outros no lugar e testar sua eficiência, visto que cada novo ministro levava para dentro do ministério sua própria visão de educação, uns mais alinhados a questões ideológicas, outros focados em reduzir despesas. Se a adoção de uma política educacional já leva tempo para maturar, o turnover no comando da pasta só piorou essa avaliação de performance. As consequências decorrentes dos dois anos de pandemia representam, certamente, o maior dos desafios, não só porque o momento colocou à prova a eficiência da tecnologia para manter o ensino remoto, como também provocou evasão escolar em todos os níveis, do ensino Fundamental ao Superior. No fundamental, especialmente, milhares de alunos não conseguiram acompanhar as atividades remotas, gerando um déficit de aprendizado que precisará ser resgatado. No Ensino Superior, em especial nas escolas privadas, o empobrecimento fruto do desemprego obrigou os jovens a trancar matrículas ou, no melhor dos cenários, migrar para o Ensino a Distância, que se multiplicou nesse período, sem necessariamente manter a qualidade do presencial. Na agenda do novo ministro deverá constar, ainda, uma interlocução maior com as universidades federais, fortemente impactadas com a glosa de recursos, e também com as instituições privadas, cuja pauta de demandas inclui o aumento das fontes de financiamento pelo Prouni e Fies, e também a discussão sobre projetos de lei que aumentam a carga tributária. Que Camilo Santana foque no encaminhamento dessa agenda e, ao menos na Educação, consiga manter distantes os interesses político-partidários que já são visíveis em outras pastas.