[[legacy_image_78827]] A notícia quase passou despercebida, mas representa um alento para quem há quatro décadas acompanha o surgimento e a trajetória de uma das doenças mais longevas da humanidade, ainda sem cura: o HIV, que nos anos 80 ceifou milhares de vidas e, por muito tempo, representou sentença de morte para quem recebia o diagnóstico positivo. Um estudo com mais de 6 mil pessoas está sendo conduzido em vários países da África, da Europa, da América do Norte e da América Latina, inclusive no Brasil. Para especialistas, é o momento mais promissor desde os anos 80. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A pandemia da Aids foi notícia frequente na imprensa do mundo todo nos anos 80 e 90, quando atingia especialmente jovens, de todas as camadas sociais, e com consequências devastadoras por afetar o sistema imunológico do doente. A morte era decorrente de doenças oportunistas, como gripe, pneumonia e outras, para as quais havia medicamentos, mas não em organismos com defesas débeis, como as dos portadores do vírus. Investimentos maciços em pesquisas foram feitos durante anos e surtiram efeitos benéficos. Coqueteis de drogas foram lançados para reduzir os danos ao sistema imunológico e garantir razoável proteção, mas todos com efeitos colaterais e nem sempre eficientes em sua totalidade. O avanço das pesquisas chegou ao modelo atual, em que é possível conviver com o vírus e manter a saúde em dia, ingerindo apenas um medicamento, sem grandes efeitos colaterais. A notícia que chega mostra estudos em fase avançada. Eles foram divididos em duas frentes: a primeira na África Subsaariana, que testou 2.637 mulheres heterossexuais. A outra foi na Europa, na América do Norte e na América Latina, com 3.600 voluntários, entre homens homossexuais e pessoas trans. São Paulo, Rio, Minas e Paraná também têm indivíduos incluídos nos estudos. Nas fases 1 e 2, a vacina se mostrou muito segura, razão pela qual seguiu para a fase 3, que testa a eficácia em larga escala. Os voluntários serão acompanhados por 30 meses. Metade receberá placebo e a outra metade, o imunizante. Para a vacina do HIV, a grande dificuldade dos pesquisadores, ao longo dos anos, foi a capacidade aumentada de mutação do vírus, muito superior à do Sars-Cov2, da covid-19. Atualmente, 38 milhões de pessoas vivem com HIV no planeta, segundo a Organização das Nações Unidas. Com a evolução dos tratamentos, a mortalidade caiu de 1,7 milhão em 2004, para 690 mil em 2019. A taxa de infecção também caiu: de 2,8 milhões em 1998, para 1,7 milhão em 2019. Embora o decréscimo seja significativo, o vírus continua fazendo vítimas e representa uma ameaça constante porque novas gerações de jovens, tranquilizadas com o fato de haver tratamento, se expõem ao risco. A descoberta de uma vacina traz duas boas notícias: a primeira, a solução definitiva; a segunda, mais uma vitória da Ciência para os males da humanidade.