[[legacy_image_296185]] O ciclone extratropical no Rio Grande do Sul e enxurradas dos últimos anos na Baixada Santista, Litoral Norte, Capital, Região Serrana e encostas do Rio de Janeiro, Recife e Bahia, e mais uma extensa lista de regiões com enchentes exigem um plano nacional com investimentos polpudos e coordenados da União, estados e prefeituras. Socorros emergenciais, como aluguel social e liberação de FGTS não funcionam mais. Os programas habitacionais precisam dar prioridade à população que hoje vive nos morros, enquanto a construção ilegal em áreas perigosas deve ser punidas com rigor. Obras de infraestrutura também precisam ser levadas às regiões pelo interior do País, onde há muitos vales. Como hoje ocorre muita expansão urbana pelas margens dos rios, as chuvas intensas que elevam seus níveis varrem partes significativas e vitais das pequenas e médias cidades, com impacto nas indústrias e na produção agrícola. Já perdeu sentido reivindicar apenas piscinões ou outros tipos de projetos contra enchentes antes esporádicas. As tempestades estão cada vez mais fortes e numerosas, chegando a partes do País em situações inéditas. Deve-se lembrar ainda que houve aumento populacional em relação a alguma décadas, com expansão das cidades médias, em meio a urbanizações que menosprezaram o respeito ao meio ambiente, não apenas como fator de equilíbrio climático, mas até para o devido escoamento das águas e terras de deslizamentos. Os planos de socorro imediato, seja para resgate das famílias , como para apoio financeiro aos desabrigados, precisam estar sistematizados para rápida liberação, não a conta-gotas. Também é fundamental haver programa de conscientização de moradores e dos gestores das empresas para evacuações. As notícias sobre o Rio Grande do Sul indicam que a subida das águas nos vales veio acima das previsões, mas é conhecida, inclusive nos morros, a recusa das populações de saírem de suas casas. As sirenes de alerta, que aos poucos começam a se espalhar no País, inclusive na Baixada Santista, são fundamentais para os momentos de alto risco, entretanto, os sistemas de emergência têm que ser usados sob critérios sérios e serem obedecidos. Há alguns anos, no Rio de Janeiro, houve o disparo dos avisos, mas as chuvas vieram abaixo do que se esperava, e a prevenção foi ridicularizada por oponentes do governo da época. No Brasil, como não há catástrofes como furacões, terremotos e vulcões, os alertas são uma novidade e é preciso que sejam bem divulgados. Entretanto, teme-se que os investimentos necessários em infraestrutura contra enxurradas não saiam do papel devido a um histórico de cortes orçamentários, corrupção e atrasos de obras, que encarecem o custo em larga escala. No fim das contas, a sobrevivência em tempos de mudanças climáticas pode estar nas mãos de gestão pública errática e ineficiente. Isso não é mais aceitável.