[[legacy_image_289690]] Não é de hoje que o País acompanha pela mídia o desenrolar das notícias envolvendo a cracolândia, que agora se espalha por toda a região da Santa Ifigênia, um dos locais mais densamente comerciais da Capital Paulista. A região se transformou em um barril de pólvora, pronto a explodir. Na terça-feira, foram registrados vários focos de violência envolvendo usuários de drogas e comerciantes, e até pedestres que apenas transitavam pelo local, como um porteiro que seguia para o trabalho e foi assassinado com um golpe de faca. Até onde se apurou, o ataque partiu de um ladrão que aparentava ser morador de rua e tentou assaltá-lo. Para além de todas as questões que envolvem esse tema, a presença dessa multidão de usuários de drogas naquele local tem representado prejuízos substanciais àqueles comerciantes, que veem suas lojas minguarem de clientela à medida que se intensificam a movimentação e permanência dessas pessoas pelas ruas, praças e avenidas. Muitos são claramente usuários de drogas em estágio avançado de dependência, mas muitos são traficantes, foragidos da justiça e criminosos de toda ordem. Em janeiro, o governador do Estado, Tarcísio de Freitas, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, anunciaram amplo programa para enfrentar o problema, mas ambos admitiam que erradicar esse quadro seria desafiador. O programa consistia em quatro pontos principais: abordagem aos usuários por meio de profissionais especializados, oferta de linhas de cuidado para tratamento da dependência química, integração, e oferta de serviços públicos com atualização do cadastro único. Também seriam criadas mil vagas em comunidades terapêuticas, e haveria uma ação mais forte da polícia para a identificação de traficantes e foragidos da justiça. A cracolândia foi formada há mais de 30 anos na Capital, e é importante destacar que a existência de comunidades semelhantes, vagando pelas ruas, não é privilégio do Brasil. Nos Estados Unidos, a Skid Row reúne mais de 4 mil usuários de drogas, em uma área de 54 quarteirões no centro de Los Angeles, a menos de meia hora de carro das mansões de Hollywood e da Calçada da Fama. Ainda que a tarefa de enfrentar esse quadro seja desafiadora e polêmica, autoridades de saúde e de segurança devem permanecer focadas. Espantar esses grupos para um lado e para outro não funciona, já está provado, só faz aumentar a tensão e os episódios de violência. A questão primordial é combater a origem, que é o tráfico e a presença fácil do crack, de efeito devastador, mas de fácil acesso por ser mais barato que a cocaína. Para os traficantes, a solução é de polícia, e não de assistência social. Para os demais, geralmente usuários e doentes, a oferta de serviços de saúde, com pessoal especializado nessa área, é o caminho mais adequado, até mesmo com um debate mais técnico sobre internação compulsória para casos específicos.