(Vanessa Rodrigues/AT) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Tarcísio de Freitas, de grupos políticos totalmente opostos, deram ontem o mais importante passo, até agora, para viabilizar, após um século de espera, a ligação seca entre Santos e Guarujá. Orçado em cerca de R\$ 6 bilhões, com custo dividido entre o Estado e a União, os dois mandatários lançaram ontem no Porto Valongo, em Santos, o edital para construção, operação e gestão do túnel. Com isso, chegará ao fim o gargalo entre as duas cidades que tanto custo gerou a motoristas, ciclistas e pedestres, inclusive ocorrendo algumas mortes ao longo de décadas. Desde 1927, as páginas de A Tribuna registraram projetos e promessas de construção do empreendimento, inclusive como ponte. Nesse período, os congestionamentos praticamente viraram rotina, com espera de quatro horas ou mais devido ao caótico sistema de balsas. Quando o projeto estiver pronto, a travessia dos veículos poderá ser feita em somente dois minutos. As viagens mais rápidas vão reduzir os custos das empresas e permitir aos moradores dos dois lados aproveitarem o que as cidades têm de melhor, seja para o lazer, para trabalhar ou estudar. Historicamente, o investimento em infraestrutura no País enfrenta atrasos, que têm relação com editais falhos e disputas judiciais entre participantes das licitações. As construções se tornaram demoradas, atravessando períodos de crises econômicas, as quais acabam afetando a disponibilidade de recursos. Paralelamente, escândalos de corrupção muitas vezes interrompem esses projetos e o prejuízo financeiro e à qualidade de vida do cidadão se torna incalculável. Desta vez, o País tem a chance de mudar essa lógica, até porque há mais tecnologia tanto para a construção como para fiscalizar a execução. Além disso, no caso do túnel, o acordo entre adversários políticos para viabilizá-lo é uma das principais notícias sobre esse projeto. No último dia 18, referindo-se ao projeto, Tarcísio acertou ao falar em “sensibilidade” de Lula, e que queria “agradecer publicamente”. O presidente há meses tem mostrado disposição para investir em estados e cidades controlados por rivais, o que não deveria sequer chamar a atenção, porque é o óbvio a ser feito. Em entrevista exclusiva para A Tribuna, publicada ontem, Lula disse que descarta “queda de braço com governadores” e que busca “criar condições para um bom aperto de mãos”. É possível que, adiante, os dois lados disputem a paternidade do projeto. Porém, há outros desafios a serem superados, como o processo licitatório ser vencido pela empresa mais competente, garantir que não ocorram entraves com as autorizações ambientais e viabilizar um processo de construção tranquilo. Com o túnel pronto, as duas cidades, de tradição portuária, turística e comercial, ficarão mais conectadas em todos os sentidos e deverão conquistar um dinamismo inédito, com potencial de desenvolvimento e geração de empregos. Um século de espera próximo do fim