Idealizado e prometido há anos, o Parque Valongo tem potencial para ser o pontapé que faltava a um projeto maior e mais perene de revitalização de toda a área central, especialmente o Centro Histórico e, paulatinamente, todos os demais bairros que circundam a área (Vanessa Rodrigues/AT) A Prefeitura de Santos inaugurou nesta sexta (5), com a presença de autoridades de todas as esferas, empresários e público em geral, o Parque Valongo, a mais nova iniciativa da atual gestão para atrair turistas e visitantes à área central da Cidade. O primeiro passo para a instalação do Parque Valongo ocorreu em maio de 2023, quando a Autoridade Portuária de Santos (APS) cedeu a área de antigos armazéns abandonados para a Prefeitura de Santos, que buscou recursos para começar a transformação do cenário degradado. Montada em uma área de 10 mil metros quadrados, a primeira fase do Parque Valongo abrange o espaço antes ocupado pelas ruínas do Armazém 4 e do vão onde havia os Armazéns 5 e 6. Toda a área foi revitalizada. O antigo Armazém 4 se transformou num amplo e moderno espaço coberto e climatizado, que abrigará eventos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Idealizado e prometido há anos, o Parque Valongo tem potencial para ser o pontapé que faltava a um projeto maior e mais perene de revitalização de toda a área central, especialmente o Centro Histórico e, paulatinamente, todos os demais bairros que circundam a área. Há décadas se debate a necessidade de levar para a região uma proposta macro de revitalização, como outras localidades já fizeram, e o exemplo mais próximo é o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, iniciativa que teve início em 2013, com erros e acertos, mas que prosperou e hoje é referência em atração de turistas, eventos e empreendedores para uma área degradada por décadas. Este ano, a Prefeitura do Rio comemora a chegada do maior residencial do Porto Maravilha, com quase 2 mil unidades, o 12º da região. Atrair residências, novos negócios, gastronomia e entretenimento consolidará o Parque Valongo como iniciativa bem-sucedida. A Prefeitura deve estar atenta, porém, ao conjunto de demandas e exigências para que tal projeto não pereça: segurança rigorosa, zeladoria, eventual incentivo tributário para instalação de empresas que tenham esse perfil, qualificação de mão de obra para atender turistas, facilitação para outros negócios voltados a esse trade, como agências de receptivo, hotelaria, cinemas e salas de exposição e artes. Há uma infinidade de novas possibilidades no radar que agora se abre. O modelo de parceria que ali se estabeleceu também é inovador, já que o investimento é fruto de uma contrapartida entre iniciativa pública e privada, o Termo de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e/ou Compensatórias (Trimmc). Esse é um caminho, aliás, que deveria ser utilizado para outros fomentos em áreas degradadas e carentes de atrativos, onde nem sempre há condição do poder público investir. Em avançando as demais fases do Parque Valongo, outros Trimmcs podem vir para ampliar o escopo da revitalização em bairros vizinhos, como Paquetá, Vila Nova e Vila Mathias. Não faltam carências urbanas para merecer esses investimentos.