[[legacy_image_357684]] A última quinta-feira poderá ser lembrada como mais uma dessas datas marcantes para a geopolítica, com a visita do russo Vladimir Putin ao presidente chinês Xi Jinping, em Pequim. A reunião simboliza uma parceria, que não está definitivamente selada, para opor os dois gigantes ao Ocidente. Entretanto, analistas ressaltam que é a Rússia que realmente depende da China. As duas potências têm em comum serem alvo de restrições econômicas ocidentais, uma marca da nova Guerra Fria. A China, na verdade, enfrenta sobretaxas na disputa comercial com os Estados Unidos, que decidiu dificultar a entrada de carros elétricos chineses, alegando que seus preços estão muito baixos para enfraquecer a indústria americana. Contra a Rússia, a prática é de sanções. Desde o começo da invasão da Ucrânia, Moscou tem conseguido se desvencilhar comercializando com a China, Índia e até o Brasil. Porém, nos últimos meses, os EUA passaram a fechar o cerco não só aos russos mas a quem negocia com eles. Por exemplo, os grandes bancos da China que emprestam dinheiro à Rússia podem ser bloqueados pelo Tesouro dos EUA, sendo excluídos do Swift, o sistema de pagamento internacional. Com essa medida, o comércio da Rússia com a China, de US\$ 240 bilhões no ano passado, começou a recuar. Para se ter uma dimensão da importância dessa corrente de negócios, o equivalente Brasil-China foi de US\$ 157 bilhões em 2023. Mas não é apenas comércio que aproxima as duas potências. Segundo reportagens, há cada vez mais russos estudando ou trabalhando nas grandes cidades chinesas e colaborando com pesquisas de novas tecnologias, assim como viajam para lá como turistas e consomem sua produção cultural. O caso Rússia-China representa os contornos comerciais da nova Guerra Fria, com a formação de blocos de parceiros confiáveis, inclusive para fornecer insumos para a indústria, como minerais e componentes, principalmente chips. Os EUA começaram a reduzir a dependência de semicondutores de Taiwan, que é pró-americana, mas que poderá ser bloqueada em um conflito com Pequim. Já o Canadá e o México, pela vantagem da proximidade, já veem seus parques industriais crescerem para atender os EUA. Nesse ritmo, fica o suspense da posição do Brasil, que comercialmente, e pelo menos na gestão Lula, assim como a Índia (com a Rússia), transita entre blocos antagônicos. Será que futuramente numa radicalização o País terá que escolher um lado? Analistas dizem que os EUA veem na perpetuação da invasão da Ucrânia uma oportunidade para exaurir materialmente a Rússia, que tem resistido bem e corrigido seus erros estratégicos em relação a Kiev. Mas Moscou não está totalmente livre de um maior isolamento, pois a geopolítica dá voltas – como lideranças americanas passarem a acenar aos chineses por uma reaproximação comercial ou diplomática, como se viu nos anos 1970.