(Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) A trama revelada pela Polícia Federal, de que militares e um agente da própria PF supostamente pretendiam matar o então presidente eleito Lula, seu vice Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como parte de um golpe de estado, choca, não apenas pelo lado da crueldade, mas também por mostrar como as instituições são banalmente ameaçadas. Mediante isso, o repúdio deve ser total, destacando que a democracia é o bem mais precioso dos brasileiros e que esse é o único caminho que vale a pena. Deve-se imaginar ainda que, se esse grupo tivesse conseguido realizar seu suposto plano como a PF indicou, com um golpe para manter Jair Bolsonaro no poder, como esse regime seria visto por seus cidadãos e pelo mundo? A ideia, conforme a investigação, era envenenar Lula e Alckmin e explodir Moraes, algo que só pode ser pensado por insanos. O plano continuaria com um Gabinete Institucional de Gestão da Crise, coordenado pelo general Braga Netto, apenas uma nomenclatura para justificar o que na verdade é uma ruptura, um golpe – daí o nome adotado pela Polícia Federal para sua investigação, o de Operação Contragolpe. O inquérito atingiu o general de reserva que comandou as Operações Especiais do Exército, Mário Fernandes, e três kids pretos (militares de alta performance) – Rafael Martins de Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo e Hélio Ferreira Lima, incluindo ainda o policial federal Wladimir Matos Soares, que atuou na segurança de Lula. Todos foram presos na terça-feira pela Operação Contragolpe. Aliás, reportagens apontaram atitudes desastradas do grupo, segundo a PF, com um deles usando impressora do Palácio do Planalto para reproduzir o plano dos assassinatos e outro que vigiou Moraes indo embora a pé porque não achou táxi. As diligências da Operação Contragolpe se revelaram um cerco a aliados que foram autoridades durante o governo de Bolsonaro, com o jornal O Estado de S. Paulo afirmando que a tendência será pelo terceiro indiciamento do ex-presidente. Fernandes, por exemplo, foi secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência e ultimamente assessorava o deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ). Se o atentado do último dia 13 começou a esfriar a proposta da anistia aos golpistas do 8 de Janeiro, esse inquérito poderá congelá-la. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que “por mais que seja repugnante pensar em matar alguém, isso (o ato de planejar) não é crime”, enquanto o pastor Silas Malafaia afirmou que “desejar não quer dizer nada”, alegando que há a “farsa do golpe”. As defesas ainda devem se manifestar, mas o inquérito foi muito aprofundado, com a divulgação de documentos relacionados aos golpistas, e é possível que novas fases sejam deflagradas. Como disse o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, o risco à democracia era maior do que se imaginava. Resta aguardar o andamento das investigações.