[[legacy_image_292403]] Faz hoje um mês que a Baixada Santista ganhou espaço na mídia nacional em função dos episódios desencadeados no final de julho em Guarujá, quando um policial da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) foi morto a tiros em uma comunidade da periferia, desencadeando a chamada Operação Escudo. Até ontem, o saldo era de 22 mortes, 634 pessoas presas, 84 armas e 900 quilos de drogas apreendidas, certamente uma das ações mais longas desencadeadas pela polícia em Guarujá. Nesse período, diversas denúncias foram levantadas, quase todas relacionadas a eventuais abusos cometidos pelos policiais, calcadas em relatos feitos à Ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública, e em pontos divergentes entre os laudos das mortes e as versões constantes nos boletins de ocorrência. Por outro lado, é fato que a presença constante de viaturas policiais e homens da PM circulando pelos bairros inibe novas ações e leva a sensação de segurança aos moradores. A demanda por mais efetivo não só em Guarujá mas em toda a Baixada Santista é constante por parte da população, dos prefeitos e parlamentares. A Operação Escudo vai acabar em algum momento, mas alguns pontos desses episódios devem ficar bem presentes e reverberar. O primeiro deles é que não é de hoje que a população reivindica mais segurança, que em geral só é reforçada nos períodos de férias e feriados prolongados. Guarujá, em particular, vem enfrentando uma onda de violência e criminalidade há meses, com cenas que já se tornaram corriqueiras de invasão a comércios, assaltos a mão armada e furtos cometidos à luz do dia, contra pedestres e turistas em suas atividades cotidianas. A Prefeitura vem intensificando o freio ao crescimento de áreas irregulares, com a criação de força-tarefa envolvendo vários órgãos públicos, inclusive o Judiciário. Se é verdade que nesses locais se instalam famílias carentes, trabalhadores sem condição de morar dignamente, também é fato que aglomerados urbanos favorecem a atração de outro público: o crime organizado. Regiões conurbadas como a Baixada Santista não conseguem inibir que uma situação isolada logo vire coletiva, e é nesse ponto que a perenidade das estratégias de segurança precisa agir. O próprio governador Tarcísio de Freitas disse, em junho passado, que duas situações representavam seu maior desafio no item segurança pública: a cracolândia da Capital e a Baixada Santista. “Queremos que os negócios se desenvolvam. Queremos o pequeno comerciante prosperando. Não queremos ver pessoas sendo vítimas de ataque, vítimas da falta de segurança. E vamos vencer essa guerra”, disse, naquela ocasião. Passada a Operação Escudo, ficará a importante tarefa para o Estado: vencer a guerra, como disse o governador. A morte do policial da Rota importa, sem dúvida, assim como todas as outras que ocorrem no dia a dia de uma cidade envolvendo as vítimas da criminalidade.