(fREEpIK) Hoje começa um ano de decisões de impacto no médio e longo prazos ou de superação de impasses, tanto no Brasil como no mundo. Por aqui, a dúvida é se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai dar aval ao corte de gastos mais consistente, mas com o seu partido temeroso com a reação das urnas em 2026. Se nada de razoável for feito, as incertezas continuarão castigando a economia, com risco do empresariado desistir de arriscar e se acomodar com a renda fixa bem atraente. Por isso, é fundamental que a inflação seja contida pelo Banco Central, cuja autonomia Lula disse que vai respeitar, aliás, como manda a lei. Também será ano de consolidação da reforma tributária, com as discussões sobre a tributação da renda, aliás, um tema que deverá estar no centro da campanha eleitoral de 2026 – basta observar a polêmica da proposta de isentar ganhos de até R\$ 5 mil. No exterior, as dúvidas recaem sobre a capacidade do americano Donald Trump cumprir suas promessas de sobretaxar adversários e aliados comerciais. O republicano também disse que vai deportar ilegais aos milhões, o que exige um esforço administrativo fenomenal e de impacto social, o que pode causar uma onda de protestos – Trump venceu com folga no colégio eleitoral (312 a 226), mas nas urnas a diferença foi por 2,3 milhões de votos ou 1,5 ponto percentual. Também há expectativa sobre a parceria dele com o bilionário Elon Musk, que defende imigrantes de formação técnica, contrariando os radicais do partido. O temor no país é que essas iniciativas são inflacionárias, que no médio prazo poderão trazer de volta o aumento dos juros. As guerras também chegarão a um ponto decisivo. Trump disse que vai agir para acabar com o conflito na Ucrânia, mas dificilmente os militares americanos aceitarão abrir brecha para a expansão russa na Europa. No Oriente Médio, com seguidas vitórias de Israel, é possível que o Irã adie confronto direto com Tel Aviv. Na Ásia, a China já pressiona fortemente Taiwan, que considera sua província rebelde. Entretanto, a China se mostra ao longo das últimas décadas muito paciente para conquistar seus objetivos. Além dessa crise, o Brasil observa se Pequim vai conseguir destravar a economia. O desenvolvimento dos chineses se tornou estratégico para o crescimento brasileiro devido aos laços comerciais. Se a China vai bem, o Brasil registra elevados superávits comerciais. Mas o grande desafio do ano será o do meio ambiente, com mais uma Conferência das Mudanças Climáticas em Belém (PA), em novembro. Há risco bem acentuado de que os eventos extremos aumentem, ao mesmo tempo em que a transição para fontes renováveis permaneça vagarosa. O que preocupa é que hoje tudo é imediatista, como a busca pelo lucro, o crescimento econômico e o desenvolvimento tecnológico. Mas no desafio ambiental, os resultados são mais demorados – porém, não se pode falhar sob risco de comprometer a sobrevivência no planeta.