(Lula Marques/ Agência Brasil) Sete meses de exposição na mídia, dezenas de convocados a depor, troca de farpas entre parlamentares e um saldo decepcionante para encerrar a CPMI do INSS: relatório final rejeitado, sem perspectiva de texto substitutivo, sem indiciamentos, sem culpados. O maior escândalo da história envolvendo desvio de dinheiro dos aposentados e pensionistas em breve será uma página virada na história do Brasil, provando que, muito mais do que descobrir quem roubou milhões de cidadãos durante anos, a preocupação maior dos parlamentares que integravam a CPMI era ganhar holofote em ano eleitoral. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O episódio expõe, com crueza, uma das mais graves distorções da vida pública brasileira: a substituição do interesse coletivo pelo cálculo político imediato. Não se trata só de uma comissão que fracassou. É um Parlamento que, diante de um esquema bilionário que atingiu os mais vulneráveis — idosos que dependem de cada centavo para sobreviver — foi incapaz de entregar o mínimo: uma resposta institucional clara à sociedade. A ausência de um relatório final não é detalhe burocrático. É, na prática, a negação da própria razão de existir de uma CPMI. Sem conclusões, sem responsabilização e sem encaminhamentos firmes, o Congresso abdica de sua função fiscalizadora e transfere integralmente a outros órgãos uma tarefa que também lhe cabia cumprir. Pior: sinaliza que, mesmo diante de um escândalo de proporções nacionais, o impasse político pode prevalecer sobre a verdade. É impossível ignorar o contraste entre a dimensão do problema e a fragilidade do desfecho. Estima-se que quase 6 milhões de aposentados tiveram descontos indevidos durante anos. Cerca de R\$ 6,3 bilhões foram desviados. Houve tempo, instrumentos e visibilidade suficientes para apurar responsabilidades. Ainda assim, o que se viu foi uma disputa ruidosa, marcada por narrativas, blindagens e conveniências. Importante destacar que o rombo foi coberto com recursos do Tesouro Nacional, fruto da contribuição em impostos de toda a sociedade. O recado que fica é perigoso. Para a população, reforça a sensação de impunidade crônica. Para os agentes públicos, mostra que grandes escândalos podem ser diluídos no desgaste político até perderem força. Mais que isso: soma-se a outros fatores que vêm descredibilizando o Parlamento, o Governo e até o Judiciário. Não se pode normalizar esse desfecho. A investigação precisa continuar, agora sob responsabilidade de órgãos como Polícia Federal e Ministério Público. Mas é fundamental que o episódio não seja esquecido como mais um capítulo inconcluso. O País deve cobrar que, quando milhões foram lesados, o Congresso teve a chance de dar respostas e preferiu o embate estéril. A democracia não se sustenta apenas em eleições, mas na capacidade de suas instituições de proteger os cidadãos. Quando falha nisso, perde credibilidade — e reconstruí-la exige compromisso real com a verdade e com a justiça.