Foto ilustrativa (Reprodução/Instagram) O acordo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o regime iraniano foi a melhor solução para o momento, ainda que esteja ameaçado logo no seu primeiro dia. O movimento de Trump por uma trégua, entretanto, fortaleceu o Irã, que consolidou o fechamento do Estreito de Ormuz como sua arma estratégica. Simultaneamente, o americano sai enfraquecido dentro dos EUA e na arena mundial. Mais uma vez, ele fez ameaças e recuou, o que diminuirá a confiabilidade e o respeito a suas futuras declarações por adversários ou mesmo aliados. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme o cessar-fogo mediado pelo Paquistão, EUA e Irã suspenderão por duas semanas os ataques, enquanto Teerã manterá livre – “sob coordenação de suas forças”, como disse seu governo – o Estreito de Ormuz. O acordo repentino impressionou porque na terça-feira, último dia do prazo dado por Trump para evitar um grande ataque, o americano disparou ofensas e ameaças perigosas, como dizimar os iranianos. Em resposta, o Irã cortou as conversas. Mas, de última hora, a China, preocupada com o impacto do conflito no petróleo, cujo barril se aproximava dos US\$ 120 (estava a US\$ 60 em 2 de janeiro último), exigiu que o Irã fosse flexível. Para não se isolar mais ainda, o regime iraniano cedeu, apresentando uma lista de “dez pontos”, como direito de enriquecer urânio, controle sobre Ormuz, suspensão das sanções, indenização pelos ataques e fim da guerra, incluindo os bombardeios no Líbano, provavelmente os de Israel contra o Hezbollah. Trump disse que a lista é uma boa base para negociar, enquanto o Irã afirmou que os EUA “fracassaram”. Mas ontem a passagem voltou a ser fechada após ataques israelenses ao Líbano. Será preciso aguardar para saber se Trump fracassou, porém, sua estratégia de discurso agressivo, de destruir o país, no lugar de focar na queda do governo, pelo menos em tese, por uma questão de sobrevivência, tende a unir os iranianos ao redor daqueles que atualmente reprimem o país. Entretanto, se o cessar-fogo evoluir para a pacificação, o regime iraniano, sob nova liderança, que substituiu a cúpula recentemente morta, deverá manter um autoritarismo cruel para sufocar rebeliões. Trump foi muito questionado por parte de sua base fiel por descumprir a promessa de não envolver os EUA em conflitos externos. Ele também terá que responder aos ataques dos democratas, que venceram eleições parciais no ano passado e tentarão conquistar a maioria no Congresso no próximo semestre. Aliás, Trump já enfrenta uma baixa aprovação e a guerra, assim como em governos anteriores, seria uma forma de mostrar habilidade e angariar aprovação. Por isso, além de conseguir cumprir a trégua, ele precisará de um desfecho favorável aos EUA. Algo difícil, pois o americano alegava que precisava destruir o programa nuclear iraniano. O que se tem é que Teerã manteve uma razoável capacidade de resposta bélica à maior potência do mundo.