(Reprodução Instagram/ Donald Trump) Além dos 49 milhões de americanos que votaram antecipadamente, outros milhões irão às urnas amanhã nos Estados Unidos. Como o voto não é obrigatório, o resultado pode surpreender, mas pesquisas apontam que os democratas têm muitas chances de controlar a Câmara dos Deputados e talvez o Senado. Se isso se confirmar, o presidente Donald Trump sofrerá uma derrota contundente, arrancando-se de suas mãos boa parte do poder quase total com que assumiu a Casa Branca. Com o republicano praticamente onipresente no mundo por meio do poderio dos EUA, com suas políticas que contrariam o status quo, declarações insultantes e desrespeito à autonomia das nações, o desfecho do pleito é aguardado globalmente. O problema de Trump é chegar impopular à eleição de metade do mandato, quando há a renovação de todas as 435 cadeiras de deputados e 35 do total de 100 senadores, entre outros cargos. Perder a maioria na Câmara significa se tornar alvo de investigações a todo momento e, no Senado, não conseguir aprovar nomes para organismos importantes, como FBI, CIA e Suprema Corte. Ele não seria politicamente anulado, pois ainda é o líder do Partido Republicano sem um desafiante à altura, com condições de dar dor de cabeça, por exemplo, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na questão tarifária e no apoio à família Bolsonaro. O risco de revés retumbante de Trump se deve a sua popularidade de 32%, segundo a Reuters/Ipsos. A redução do apoio tem relação com a perda do poder aquisitivo, resultado da guerra tarifária e do aumento do preço do petróleo com a incapacidade da Casa Branca de encerrar a guerra contra o Irã. Também há queixas sobre promessas ainda não cumpridas, como beneficiar os americanos que não usufruem da riqueza do setor de tecnologia e que vivem no Cinturão da Ferrugem. Essa região decadente, desindustrializada a partir dos anos 1970 e que vai da Pensilvânia e oeste do estado de Nova Iorque até o Meio-Oeste, continua empobrecida. Mas Trump poderá ter sorte se os democratas, mergulhados em divisões ideológicas, falharem em algumas regiões e ganharem menos vagas do que esperam no Senado. O Partido Democrata viu crescer uma ala mais ativista, parte dela mais à esquerda, que espera eleger sete parlamentares. Os democratas, entretanto, também buscaram o pragmatismo, lançando candidatos conservadores ou populares entre eleitores republicanos. Para o Brasil, o resultado da eleição interessa bastante devido à direita que assumirá no Congresso brasileiro e como ela estará associada a Trump, e se os países latino-americanos que deram uma guinada ao conservadorismo se manterão fiéis à Casa Branca. O Governo Lula teme um isolamento regional e uma eventual retração da China com seus investimentos no Brasil. Além disso, Trump poderá questionar a legalidade da eleição americana, criando uma grande confusão nos EUA, com efeitos na economia mundial.