Os Estados Unidos decidiram usar sua influência econômica para asfixiar o Irã, depois do fracasso do acordo de cessar-fogo e da dificuldade do Governo Trump de encerrar um conflito que corrói sua popularidade. A estratégia da Casa Branca, de impor ao mundo que apoie o cerco a Teerã, repete a política trumpista de não ignorar seus aliados na adoção de tarifas sobre importações, no papel da Organização Tratado do Atlântico Norte (Otan) e ao declarar o predomínio da Doutrina Monroe na América Latina. Dessa forma, perde força a liderança americana de mais de um século centrada na democracia e no avanço tecnológico, ainda que Washington inúmeras vezes tenha apoiado regimes ditatoriais brutais por seus interesses econômicos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além disso, a guerra comercial do presidente Donald Trump contra os iranianos corre o risco de ser vista como mais um blefe. O republicano se caracterizou por anunciar num dia o fim da República Islâmica e no outro festejar o reinício das negociações de cessar-fogo, com sucessivos desmentidos de Teerã. A guerra econômica é a alternativa que Trump tem para evitar as custosas ações militares, em meio a notícias de que os EUA precisam recompor seu arsenal em momento de disparada da dívida pública. Por enquanto, as novas sanções atingem 60 entidades, indivíduos e embarcações com relações com o Irã, e cercam a aviação, o transporte marítimo e a defesa. Mas não se sabe a que ponto seriam punidos os países que continuassem se relacionando com o regime dos aiatolás. Já há conversas dos EUA com Turquia, Índia, Turquia e China por uma asfixia econômica. Pequim, entretanto, rechaçou essa ideia. O país é o maior comprador de petróleo do Irã e desde a guerra tem formado um estoque do produto, de pelo menos 1 bilhão de barris, suficientes para quatro meses caso o comércio seja suspenso. Porém, a China perde com a interrupção do Estreito de Ormuz. Sanções econômicas prejudicam os países, mas são ineficientes para derrubar regimes, como os casos da Coreia do Norte, Rússia e o próprio Irã. Falta saber se Cuba suportará a pressão americana nesse sentido. Apesar de Trump apostar na guerra econômica para forçar concessões iranianas, o país do Oriente Médio já sofre com as consequências da guerra. Segundo a imprensa internacional, a população enfrenta filas nos postos de combustíveis e faz estoque de mercadorias devido à inflação. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, os preços dispararam, como os casos do arroz, em 60%, e da carne bovina, 150%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê queda de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, enquanto o rial, a moeda do Irã, atingiu sua mínima histórica em relação ao dólar. Mas a República Islâmica, na repressão aos protestos passados contra seu regime, mostrou que é capaz de matar aos milhares. Não faltará pudor em calar os manifestantes novamente se houver insatisfação popular com a carestia.