(FreePik) A subida do petróleo em 80% neste ano, causando uma crise de abastecimento mundial, mostra que a transição para energias renováveis ainda é modesta e que a economia baseada em combustíveis fósseis impõe muita lentidão à migração para a sustentabilidade. Mas o equilíbrio ambiental é ameaçado não somente pela emissão de gases pelos meios de transporte, mas também pela dependência da extração das riquezas não renováveis do solo e sob os oceanos. A corrida mundial por minerais críticos e terras raras, fundamentais para a produção de componentes da indústria tecnológica, indica que a ideia de um futuro sustentável e livre de poluentes é sonhadora e vai demorar muito para se desenvolver. É verdade que esses insumos, industrializados em chips de alta eficiência, resultam em automóveis e outros equipamentos mais limpos. Entretanto, a inteligência artificial depende de grandes centros de processamento de dados, que exigem uso intensivo de energia. O Brasil tem grande potencial nessa área em razão da abundância de matrizes renováveis, como hidrelétrica, solar e eólica, mas na maioria dos países a geração para esse fim será de origem fóssil. O País, na prática, é um paradoxo por almejar a sustentabilidade energética ao mesmo tempo que investe no petróleo. Agora, a Petrobras passa por seu melhor momento histórico, com mais plataformas em produção comercial no pré-sal do Sudeste. Como essas reservas devem entrar em decadência na próxima década, a estatal começou a pesquisar petróleo na costa do Amapá, contígua ao litoral da Venezuela e Guiana, onde já há muita produção. Devido à importância ambiental daquela região, a busca enfrenta críticas e risco de entrave pelo Judiciário a pedido das organizações ambientais. A oficial, o Ibama, está sob a posição dúbia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nos discursos defende a natureza, mas que pragmaticamente opta pelo petróleo. Não há dúvida de que a transição dos combustíveis fósseis para fontes limpas é questão de sobrevivência para a humanidade, porém, os interesses econômicos persistem e o custo das mudanças se revela gigantesco. O Brasil segue com sua política pragmática, mas confusa. Ele já se abastecia com fontes limpas – hidrelétricas e etanol – antes mesmo da condenação dos fósseis, e acelerou somente agora a migração para os carros elétricos. Entretanto, a instalação da infraestrutura para esse fim está atrasada. Na geração de energia, os segmentos limpos deslancharam, porém, sob dificuldade para harmonizá-los no sistema elétrico nacional devido à produção intermitente (muita energia em horário de baixo consumo e vice-versa). Simultaneamente, persiste o acionamento de térmicas, poluidoras e caras, porque as chuvas não são suficientes para encher os reservatórios das hidrelétricas. O Brasil dispõe de quase todas as matrizes de energias, faltando melhorar a gestão para um devido equilíbrio do sistema elétrico.