(Pixabay) É indiscutível a necessidade de acelerar a transição dos combustíveis fósseis para energias limpas. Sem isso, a alta capacidade de consumir dos países ricos e o crescimento simultâneo de emergentes com populações acima dos 100 milhões de habitantes vão multiplicar a emissão de gases e acelerar o aquecimento do planeta. Entretanto, os últimos anos mostram que essa virada de chave não é nada fácil. Com todo um sistema de produção baseado no petróleo, a mudança para meios sustentáveis se mostra difícil e mais cara do que se previa. O problema está em sair de uma economia há muito tempo altamente lucrativa para uma renovável que vai exigir investimentos gigantescos, sem a certeza de que os lucros serão também elevados. Basta observar reportagem de A Tribuna, no sábado, sobre carros elétricos. Esses veículos são a peça central na transição por dispensarem o principal fator da crise climática, combustíveis fósseis. No Brasil, essa transição patina não somente pelos poucos carregadores, como pela falta de conhecimento sobre a dimensão dessa tecnologia. Não se trata de apenas instalar uma tomada e abastecer o automóvel. Há toda uma necessidade de espaço das vagas e instalação de potência para o carregamento. No País, segundo o site Infomoney, as baterias mais rápidas têm até 100 kW, enquanto a montadora chinesa BYD acaba de lançar uma de 1 mil megawatt. Talvez gastos com atualização, tal como com os eletrônicos, deverão se tornar contínuos na conta do condomínio. A transição para fontes como a eólica (vento) e fotovoltaica (solar) também não é nada fácil. O investimento em infraestrutura foi acelerado, o que é positivo para um País que utiliza muita hidreletricidade e enfrenta períodos de seca. Entretanto, falta investir mais na interligação dos sistemas e dominar melhor os padrões diferentes de consumo e produção. No caso da solar, há mais oferta ao meio-dia, quando ocorre menor consumo, enquanto as torres eólicas não produzem sempre com sua capacidade máxima porque a natureza não disponibiliza vento suficiente, inclusive no horário de pico. Na chegada de uma nova tecnologia, há necessidade de investir sob alto risco, e tempos depois, a disseminação do uso barateia os equipamentos. Frente a isso, o governo e o Legislativo precisam ser eficientes e não proteger setores. Além de regras eficientes, a transição depende de muito crédito e disposição dos investidores para desbravar mercados em formação, enquanto órgãos reguladores devem disciplinar essas mudanças. O governo americano, hoje negacionista, defende esticar a era do petróleo com seus lucros poluidores, enquanto a China busca novas energias por uma questão de segurança energética – tem pouco petróleo. O Brasil estimula os avanços, mas há barreiras, como necessidade de importar equipamentos e alto custo dos carros. Mas a diversificação das fontes de energia dá grande vantagem econômica ao Brasil. O problema é o País superar seus próprios gargalos.