[[legacy_image_294919]] Em meio a um persistente déficit habitacional e péssimas condições de moradia, mais uma vez várias famílias perderam todos os seus bens durante incêndio que destruiu suas moradias. O fogo se alastrou no fim da noite de segunda-feira, no Dique da Vila Gilda, em Santos, atingindo entre 150 e 300 residências (número que ainda estava sendo levantado ontem) e consumindo móveis, roupas, brinquedos, documentos e materiais de trabalho. E ainda causando perdas imensuráveis, como lembranças e registros de familiares, e a sensação de ficar sem o próprio lar. A tragédia teria sido muito maior se as chamas tivessem se espalhado um pouco depois, de madrugada, pois muita gente poderia ter sido surpreendida – os casos mais preocupantes foram de moradores que inalaram fumaça. A Prefeitura, em meio a um decreto de situação de emergência, garantiu o pagamento de aluguel social de R\$ 600 com uma primeira parcela de R\$ 1,2 mil e muita gente se dispôs a doar roupas e móveis para a ajudar as vítimas, o que vai garantir um importante conforto. Até ontem à noite, 260 famílias tinham sido cadastradas para receber os auxílios. Infelizmente, os incêndios em comunidades se tornaram comuns, com famílias perdendo suas residências e pertences nas mais diversas favelas, com o problema se repetindo poucos meses depois. No caso do Dique da Vila Gilda, a situação é mais grave não só pela dramática situação social da habitação em palafitas, mas porque essa comunidade começou a se formar nos anos 1960 e não parou mais de crescer. Vários governos se passaram e o drama social dessa comunidade nunca foi resolvido. Aliás, essa situação se espalha por todo o País e os bolsões de miséria, com moradias precárias, violência e ausência do Estado, persistem nas periferias das médias e grandes cidades. As promessas de solução estão nos discursos dos políticos, mas ao longo das décadas muito pouco saiu do papel. Ao invés disso, os programas sociais para os mais diversos fins mudaram ao sabor do governante da ocasião, com retrocessos ou iniciativas descontinuadas. No fim das contas, as décadas avançaram sem que o País conseguisse resolver suas mazelas no campo da habitação, isso sem falar em educação, saúde, saneamento básico ou segurança pública. O retorno do Minha Casa, Minha Vida teve o lado positivo de trazer a discussão sobre a necessidade de investir na habitação. Entretanto, é conhecido que não há recursos suficientes para resolver o déficit de moradias. A meta do Governo Federal é ofertar 2 milhões de residências por ano até o fim da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pois este é o problema. É preciso que o investimento na casa própria deixe de ser uma promessa de governo e se torne programa de Estado. Caso contrário, cortes orçamentários voltarão a se repetir conforme a prioridade do governante do momento.