[[legacy_image_119108]] Engana-se quem pensa que os debates que envolvem as mudanças climáticas são pauta de governos, cúpulas mundiais e setor produtivo. A Conferência das Nações Unidades sobre Mudanças Climáticas, que começou ontem em Glasgow, na Escócia, e segue até dia 12, tem no centro das atenções o que vem acontecendo em todo o planeta. O degelo no Ártico, a desertificação no Chile, a escassez hídrica na África comprometem a qualidade de vida no Brasil tanto quanto as queimadas na Floresta Amazônica e a ocupação desenfreada de pastagens em territórios que, antes, eram cobertos pelo verde. Reportagem publicada domingo (31) em A Tribuna deixa evidentes os sinais de que a Baixada Santista já vem enfrentando episódios que podem, sim, ser creditados na conta das mudança do clima no mundo. Chuvas mais fortes e concentradas em períodos curtos, ressacas mais frequentes e ventos mais intensos atingem toda a zona litorânea, e o sinal de alerta já foi acionado. Períodos chuvosos intercalados com outros mais secos são normais na linha do tempo do regime hidrológico, bastante sensível a fenômenos como El Nino e La Nina. Porém, a conjugação de intensidade pluviométrica em períodos curtos eleva a tensão nas áreas mais vulneráveis, como encostas de morros e áreas ocupadas de forma desordenada. Ainda estão vivas na memória de todo morador da região as imagens de março do ano passado, quando mais de 20 pessoas morreram em decorrência de deslizamentos de terra, em Santos e Guarujá. A maior responsabilidade e, portanto, a cobrança mais efetiva devem ser sobre os gestores públicos, notadamente prefeitos e governos estaduais. Porém, cabe à comunidade acompanhar de perto as ações que tenham por finalidade mitigar ou prevenir ocorrências como as de março de 2020. Mudanças climáticas também são mais sentidas onde, historicamente, há adensamento populacional incompatível com a área urbana, verticalização excessiva, supressão de áreas verdes e manguezais. Outro fator eminentemente urbano, que guarda relação estreita entre o clima e as cidades, especialmente as litorâneas, é quanto se deposita de atenção aos oceanos. É sabido que os oceanos têm papel fundamental no equilíbrio térmico, na captura de gás carbônico e nas trocas que fazem entre os hemisférios, tanto pelas correntes de ar como pelas marítimas. A academia já fez o alerta: o oceano está próximo do ponto de saturação. Apropriar-se desse conhecimento e entender as relações entre o que ocorre entre o sul e o norte da Terra são os primeiros passos para uma tomada de decisão. Ainda que o desejo não seja o de engajar-se formalmente em um dos milhares de organismos que defendem essa causa, ao menos será maior o número de pessoas bem informadas, aptas a mudar de postura no dia a dia e afastar o pensamento equivocado de que essa é uma pauta distante e desimportante. Não é.