(Reprodução/X/Donald Trump) Como prometido, China e Canadá anunciaram retaliações na terça-feira contra as tarifas do Governo Trump sobre produtos desses países, enquanto o México divulgará suas medidas no próximo domingo. Assessores do presidente americano afirmaram que haveria um acordo com os dois países vizinhos, mas o revide, na prática, deflagra a guerra comercial. Mesmo que haja um entendimento, a ameaça de aplicar sobretaxas estará sempre no ar, lembrando ainda que a União Europeia, Brasil e Índia também estão na lista de alvos. Trata-se de uma situação da maior gravidade, pois o protecionismo em seu maior nível, atingindo potências exportadoras e grandes importadores, causa inflação e baixa crescimento econômico ou recessão simultaneamente. O Brasil não está no centro da crise, com analistas afirmando que o país pode ser mais beneficiado do que prejudicado. Mas com a inflação e o estrago que ela já faz por aqui e um provável recuo do comércio exterior, os reflexos de fora serão suficientes para atrasar o desenvolvimento do País. Os EUA aplicaram tarifa de 25% sobre os produtos do México e Canadá e de 20% sobre a China – os três somados exportam US\$ 1,5 trilhão por ano aos americanos. Com consequência, o Canadá taxará os EUA em 25% e a China decidiu cobrar tarifas sobre alimentos e bloquear vendas para 15 empresas americanas. No fim das contas, todos perderão. Os importadores dos EUA repassarão custos mais altos aos consumidores e a China sofrerá ainda mais com a desaceleração econômica. Analistas preveem que o Produto Interno Bruto do Canadá recuará 3% neste ano e o México perderá 1%. Mas o lado mexicano é o mais ameaçado, com 80% de suas vendas externas feitas somente para os Estados Unidos. Para entender a trava que essa guerra comercial poderá causar, basta olhar para o auge da covid-19, entre 2020 e 2021, quando as cadeias de suprimentos foram interrompidas, paralisando a produção de vários setores pelo mundo. Na época, os governos se endividaram para injetar dinheiro na economia, causando inflação que até hoje é um problema comum entre os países. Economistas que assessoram o presidente americano dizem que a inflação será temporária, mas analistas independentes acham que a subida dos preços poderá se acirrar. O Federal Reserve, o Banco Central americano, talvez nem reduza mais os juros, o que deverá pressionar a Selic e o câmbio no Brasil. É esperado ainda que a China derrube seus preços e tente desaguar sua sobra de produção em outras partes do mundo, como o Brasil. Na mesma lógica, o Brasil é forte candidato a substituir os EUA no fornecimento de alimentos, o que poderia reduzir a oferta de comida no Brasil, resultando em aumento de preço. Como a Organização Mundial do Comércio (OMC) está sem poder, cada país ficou livre para brigar do jeito que bem entende, tumultuando o intercâmbio global de mercadorias.