(Flávio Carvalho/Fiocruz) Uma sequência de relatos sobre a febre oropouche indica que a doença avança pelo País. Por isso, as autoridades sanitárias precisam dar prioridade à doença, tanto na identificação para compreender melhor sua distribuição em território nacional, como para orientar a população. No fim de semana, o Ministério da Saúde confirmou um óbito fetal pela doença, mas de transmissão vertical – quando o vírus é passado da mãe para a criança na gestação ou parto. Também foram identificadas duas mortes de mulheres jovens, na Bahia, sem comorbidades, relacionadas à infecção. Além disso, o País conta neste ano, até o último dia 28, com 7.286 casos em 21 estados. O Vale do Ribeira teve cinco registros confirmados, em Cajati e Pariquera-Açu. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os sanitaristas indicam que a febre oropouche se assemelha em muitos pontos à dengue, na disseminação e nos sintomas, aspecto que precisa ser muito considerado pelas autoridades. A infecção é causada por outro vírus, isolado pela primeira vez no Brasil em 1960, com poucos casos ou surtos geralmente na Amazônia, onde o bicho-preguiça é um dos hospedeiros. A transmissão é feita pelo inseto Culicoides paraensis, o maruim ou mosquito-pólvora, encontrado em plantações ou criações de animais, quando ocorre a contaminação de humanos. Como há uma invasão acentuada de áreas de mata ou dessas pequenas propriedades próximo às cidades, teme-se pela infestação das áreas urbanas. Aliás, pesquisadores dizem ser possível que o Culex quinquefasciatus, o pernilongo, transmita a doença, apesar do maruim ou mosquito-pólvora serem considerados os principais vetores. Como o mosquito da dengue se espalhou pelo País rapidamente a partir dos anos 1990, inclusive se adaptando em cidades mais frias, talvez pela constância do calor, a disseminação da febre oropouche precisa ser monitorada constantemente. Pesquisadores alertam que a destruição da mata e o convívio mais próximo das populações com animais silvestres têm potencial para estimular a disseminação de doenças ainda com poucos registros ou desconhecidas. Além disso, temperaturas mais altas devido às mudanças climáticas facilitam a reprodução dos insetos potencialmente transmissores e sua sobrevivência onde antes não era possível. Por exemplo, já há registro de dengue em Paris e Tóquio. A febre oropouche precisa ser enfrentada com seriedade, única forma de reduzir seu risco real. A covid-19 revelou grande capacidade da ciência atual de enfrentar doenças novas ou incomuns. No caso da oropouche, não há tratamento específico, mas existem cuidados, como usar roupas que cubram o corpo e recolher folhas caídas no solo, algo difícil de ser feito o tempo todo. O ideal seria divulgar mais informações de como eliminar o mosquito. Em geral, no enfrentamento às doenças, a informação é a melhor medida e, por isso, é importante apoiar a pesquisa e o trabalho dos sanitaristas.