(Alexsander Ferraz/AT) O Centro de Inteligência da Economia do Turismo (Ciet), do Governo do Estado, estima 2,9 milhões de turistas para esta temporada na Baixada Santista, com uma movimentação de R\$ 9,6 bilhões, valor que considera a região e o Litoral Norte. Em outro levantamento, o Ciet apontou um crescimento de 5,1% do turismo paulista em 2024, em relação ao ano anterior (não há dados para a comparação do número de turistas). Aliás, esse setor, ainda conforme o órgão, será responsável por 9,6% da economia do Estado em 2024, indicando às autoridades estaduais e municipais que essas atividades merecem prioridade pelo potencial de geração de negócios e empregos. Além disso, elas propiciam renda, incluindo a informal, a milhares de trabalhadores sem capacitação. Os dados indicam que a temporada será positiva para a região, considerando a recuperação acelerada do mercado de trabalho neste ano. A confirmação dessa expectativa é muito importante para viabilizar novos investimentos nessa área a partir de 2025, o que seria uma grande conquista após a pandemia, quando o turismo foi uma das áreas mais prejudicadas. Nesse período, muitos negócios se endividaram em excesso com a tomada de empréstimos para permanecer com as portas abertas, e os juros básicos tiveram dois ciclos de alta acentuada, com o segundo começando recentemente. A subida da Selic, desta vez a partir de setembro último, gera muitas incertezas nos empreendedores, por isso a importância de um bom movimento nas próximas semanas. No caso da Baixada Santista, deve-se retomar a discussão sobre a capacidade regional de agregar valor a esse setor da economia. A temporada na região atrai um número elevado de turistas, mas as nove cidades precisam sempre buscar formas de aumentar o gasto per capita desse público, principalmente pelo impacto na infraestrutura local, como transportes, saúde e segurança pública. Tamanho movimento precisa contar com mais eventos, frequência a bares e restaurantes, e muito investimento na divulgação das atividades. A ideia é que esse público conheça as atrações e pontos turísticos locais além das praias, passando mais dias na região e ampliando a ocupação dos hotéis, e até atraindo mais investimentos à hotelaria para os próximos anos. Espera-se que as prefeituras da região consigam fazer uma gestão eficiente do tráfego e da limpeza urbana, mas a preocupação maior é com a segurança pública, que já começou a contar com a Operação Verão, com a qual um contingente de policiais militares de todo o Estado foi destinado à Baixada. Porém, os criminosos devem aproveitar a concentração de turistas na região para agirem por aqui. No fim das contas, o sucesso do setor depende de planejamento e gestão. Mas seria importante haver um grande esforço para melhorar o valor agregado do turismo, sem obviamente esquecer que sua vocação popular não deve ser ignorada, pois também gera muitos serviços e renda.