[[legacy_image_260928]] Segue indefinido o desfecho que o Governo Federal dará à reforma do Ensino Médio, suspensa no início do mês pelo Ministério da Educação por 60 dias. De lá para cá, uma série de polêmicas tem surgido entre professores e estudantes, provocando debates que tornam a suspensão a medida mais acertada que se poderia adotar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A reforma do Ensino Médio foi proposta pelo ex-presidente Michel Temer em 2017, e regulamentada em 2019 por Jair Bolsonaro, como forma de tornar a etapa final da Educação Básica mais atrativa para o aluno, reduzindo a evasão escolar e antecipando conteúdos que poderiam compor uma futura escolha profissional. A realidade, porém, mostrou que o caminho não era tão fluido assim. Em primeiro lugar, a reforma foi implementada sem um diálogo adequado com os setores envolvidos, como professores, alunos e pais. Isso criou um ambiente de incerteza e insegurança, já que as mudanças afetam diretamente o futuro dos estudantes e a qualidade do ensino. Além disso, a reforma foi apresentada como um projeto de lei urgente, sem tempo para discussões e debates necessários. Por princípio, a reforma tinha como objetivo principal a flexibilização do currículo escolar, permitindo que os estudantes escolhessem as disciplinas que desejam estudar. Embora a ideia pareça positiva, a medida foi implementada sem que fossem feitas as devidas adaptações nos currículos e sem uma estruturação adequada do ensino. Isso pode levar a uma desvalorização de algumas áreas do conhecimento e a uma fragmentação do ensino, prejudicando a formação dos estudantes. O Estado de São Paulo foi o primeiro da federação a implementar a reforma, criando os itinerários formativos e oferecendo opções de novos conteúdos aos estudantes já a partir do primeiro ano do ensino médio. Sem estruturação adequada e professores capacitados suficientemente para as centenas de áreas escolhidas, distorções graves têm ocorrido, como o deslocamento de docentes para disciplinas nas quais não têm formação. Além disso, alunos relatam falta de conteúdos básicos, como Geografia, História, Biologia, Química e Matemática, em troca da introdução de matérias como “Como ser um tiktoker’ ou “Como fazer brigadeiro gourmet”. Em outras palavras, a flexibilização do currículo ocorreu sem critérios técnicos e com prejuízo às disciplinas básicas e necessárias em um vestibular ou concurso público, por exemplo. Os 60 dias propostos podem ser o tempo necessário para iniciar um amplo diálogo com a sociedade, discutindo as necessidades do país e as melhores maneiras de aprimorar a educação. É necessário também investir na formação de professores, na estruturação do ensino e na valorização das áreas do conhecimento, garantindo assim que os estudantes tenham acesso a uma educação de qualidade e que possam se preparar para enfrentar os desafios do mundo atual.