[[legacy_image_353694]] Em mais um triste choque de realidade, o brasileiro descobre que não basta mais discutir apenas questões relativas ao ensino (capenga) quando se pensa na educação escolar. Na atualidade, antes de se preocupar com a qualidade do que é passado pelos professores aos alunos, é preciso lidar com casos escabrosos de preconceito, bullying, intolerância e violência, alguns deles com desfecho fatal, como se viu com o adolescente Carlos Teixeira, que morreu aos 13 anos após ser agredido pelas costas, em uma escola estadual localizada em Praia Grande, por outros estudantes. No mais recente episódio do gênero, coincidentemente também em Praia Grande, duas jovens se agrediram em uma escola estadual. Em um primeiro momento, como mostram vídeos, os estudantes em volta nada fazem para acabar com a briga. Alguns até incentivam a continuidade com gritos e palavrões. O conflito só chegou ao fim depois que alguém conseguiu retirar uma das jovens do local. Toda essa onda de violência foi precedida por outra, há cerca de um ano. Nela, a tônica foi a disseminação do pânico por meio de ameaças anônimas dando conta de ataques que ocorreriam nas escolas da Baixada Santista e de outras regiões do Brasil. Pouco ou quase nada se confirmou, menos mal, mas não faltaram pais e alunos apavorados, além da apreensão de facas e outros objetos usados para agredir. Em recente pesquisa, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania revelou que os casos envolvendo violência nas escolas subiram cerca de 50%, em 2023, no País. Foram consideradas denúncias envolvendo berçário, creche e instituições de ensino. Cada denúncia pode conter uma ou mais violações de direitos. Segundo o ministério, por meio dos 9.530 chamados, foram identificadas 50.186 violações, o que representa alta de 143,5% em relação ao mesmo período de 2022. Das 9.530 denúncias, mais de 1,2 mil dizem respeito a casos em que professores foram vítimas – outra chaga dos tempos atuais. Foram identificadas violações em áreas como direitos civis, políticos e sociais, discriminação, injúria racial e racismo, liberdade, integridade física e psíquica e direito à vida. Não que no passado a vida nas escolas fosse um mar de rosas. Na verdade, problemas disciplinares sempre fizeram parte de qualquer aglomerado de pessoas em qualquer tempo, qualquer lugar. E mesmo quando tudo parece em paz, há sempre o risco de uma “desinteligência”, como se diz no jargão policial, converter um ambiente tranquilo em tumulto. Contudo, diante de tantas transformações sociais em um curto espaço de tempo, não dá para normalizar a questão. Passou da hora de as autoridades, em todas as esferas de governo, se debruçarem sobre o tema e ampliarem tanto as orientações aos alunos sobre regras de conduta como a vigilância por parte de professores, coordenadores e inspetores nas dependências de ensino.