(FreePik) De chá de orégano para curar o câncer a mistura de talco com detergente para espalhar no corpo e afugentar o mosquito da dengue, o mundo digital continua repleto de fake news e conteúdos fortemente distorcidos e mentirosos. Pior: contas nas redes sociais com milhares de seguidores adquirindo produtos que nunca chegam ou adotando conselhos e dicas maléficos à saúde ou placebos que nenhuma eficiência comprovada têm para os problemas apresentados. A era digital proporcionou avanços extraordinários na comunicação, no acesso à informação e na democratização de vozes. No entanto, junto com essas conquistas, emergiu um fenômeno preocupante e perigoso: a disseminação em massa de notícias falsas, que seguem fazendo vítimas. Esse mal contemporâneo não apenas deturpa a realidade, mas também ameaça a saúde pública, fragiliza a democracia, mina a credibilidade das instituições e coloca em risco a vida de milhões de pessoas. Um exemplo alarmante está na proliferação de vídeos curtos nas redes sociais que prometem emagrecimento instantâneo ou curas milagrosas para doenças graves. Muitas vezes, esse conteúdo sensacionalista é parte de uma estratégia perversa: ganhar dinheiro por meio da desinformação. Levantamento feito esta semana por um serviço de verificação de fake news identificou ao menos 69 contas ‘dark’ no Instagram — perfis anônimos, sem rostos, criados para parecerem confiáveis —, que somam 42 milhões de seguidores. Alimentadas com conteúdo fabricado por inteligência artificial ou reciclado da internet, essas contas espalham mentiras, receitas sem respaldo científico e golpes financeiros sob o pretexto de dicas de saúde. O impacto disso é profundo. Ao dar aparência de verdade ao absurdo, essas redes de desinformação manipulam a opinião pública, influenciam decisões médicas de pessoas vulneráveis e expõem a fragilidade dos mecanismos atuais de controle. A criação e o compartilhamento dessas contas são ensinados abertamente em tutoriais existentes nas próprias redes. O que deveria ser espaço de troca e aprendizado virou terreno fértil para o charlatanismo moderno. Frente a esse cenário, é inadmissível que a sociedade siga tratando o combate às fake news como questão secundária. A criação de legislações específicas e rigorosas para punir quem lucra com a desinformação deve ser prioridade zero de todos os governos. Não se trata de censura, mas de proteção ao interesse público, à saúde coletiva e à integridade das instituições. A tecnologia usada para espalhar mentiras avança em velocidade vertiginosa, criando novas ferramentas para burlar sistemas de segurança e dificultar a identificação dos responsáveis. O estado precisa responder com a mesma agilidade e com o mesmo nível de sofisticação técnica e jurídica. Além disso, é urgente investir em educação midiática como política pública de base. Cidadãos alfabetizados digitalmente — de crianças a idosos — são menos suscetíveis às armadilhas da desinformação.