(Reprodução/TV Globo) Com uma tarifa de 50% aplicada pelo Governo Trump sobre o Brasil, analistas estimam que, na prática, o índice médio do País será de 30% devido aos 694 produtos isentos (na verdade, esses itens pagarão 10% mediante isenção de 40%). A medida entra em vigor na próxima quarta-feira. Como os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump sinalizaram que vão conversar, é possível que o País passe por alguma redução. Por enquanto, o Brasil tem a sobretaxa mais alta do mundo, mas o que preocupa é que as economias pobres foram punidas por percentuais mais pesados do que as ricas. Além da guerra tarifária trazer o risco de inflação e baixo crescimento mundial, haveria ainda o empobrecimento pela dificuldade de acesso ao mercado da maior potência global. No balanço das tarifas já anunciadas - e que podem ser alteradas por negociações - Brasil e Suíça, com 39%, são os únicos países de maior porte econômico com tarifas superiores a 35% aplicadas por Trump. Síria, destroçada por uma longa guerra civil, pagará 41%, enquanto Laos e Mianmar, nações pobres e irrelevantes economicamente no Sudeste Asiático, foram punidas com 40%, e o Iraque, com 35%. Entretanto, Japão, Coreia do Sul, Noruega e União Europeia foram “premiados” com muito menos, 15%. São países que podem oferecer investimentos, têm potencial para importar produtos em bilhões de dólares dos EUA e, portanto, tiveram grandes mercados para negociar com os americanos. Já a Argentina, provavelmente por vínculo ideológico, e o Reino Unido terão 10%. China, por ser o grande alvo dos EUA em vários aspectos (econômico, militar e diplomático e na disputa por influência global), enfrenta uma demorada negociação. Na mesma situação estão México e Canadá, em desvantagem por terem o comércio exterior muito dependente dos EUA. Negociações à parte, o futuro dessa guerra tarifária vai depender muito do impacto dela em solo americano. Mesmo com exceções para itens que os EUA não produzem ou dependem como complemento de sua escala industrial, a imposição de uma tarifa amplia o preço nominal que será cobrado do consumidor americano, tanto população quanto empresas. É possível que os exportadores reduzam seus preços aos EUA para atenuar o impacto das taxas. Por outro lado, com índices elevados, é possível que decidam não exportar, o que desabasteceria o mercado dos Estados Unidos. Também há a possibilidade dos países, com tarifas e dificuldades para exportar tanto para os EUA como para outras economias (pois haveria disputa para redirecionar exportações por falta de acesso aos EUA), evoluírem para um baixo crescimento, inclusive gerando pouca demanda por produtos americanos. No fim das contas, há a ameaça do desarranjo do comércio global, que levaria a uma era de estagnação. São riscos suficientes para mostrar como a política tarifária de Trump é ensandecida.