(Reprodução/Instagram/Donald Trump) O Governo Trump, ao confirmar a taxa de 25% sobre as exportações brasileiras, comete uma injustiça com o País e estimula um caminho já evidente de redução de sua importância comercial para o Brasil. A Casa Branca decidiu que o novo tarifaço entra em vigor na próxima quarta-feira. Para piorar, os Estados Unidos têm até o dia 24 para definir se adotarão outra alíquota, de 12,5%, após investigação contra 60 países por suposto uso do trabalho forçado na atividade produtiva. Com essa medida, o Brasil passaria a pagar 37,5% para vender aos EUA, o maior percentual imposto a um parceiro, ficando atrás somente da média que incide sobre a China. Como era previsto, os EUA isentaram alguns produtos, como carnes, suco de laranja, petróleo, partes de aviões, celulose, café e ferro-gusa. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que conduz investigações para justificar as sobretaxas, ampliou de 986 para 1.231 os itens excluídos da alíquota de 25%. A ideia é evitar que esses produtos fiquem mais caros, pressionando a inflação americana, hoje de 3,5% ao ano, não tão abaixo da brasileira, mas acima da meta de 2% do Federal Reserve. Porém, a preocupação é eleitoreira. Os americanos perderam poder aquisitivo devido ao aumento de preços e a Casa Branca teme ser derrotada para os democratas na eleição de meio de mandato, em 3 de novembro. Entretanto, não escaparam os pescados, rochas ornamentais, madeira, têxtil, móveis e calçados. São punições que não vão pesar no desempenho da economia brasileira. Contudo, esses setores são importantes para cidades específicas, empregando numerosa mão de obra ou sustentando a baixa renda. Por outro lado, esses segmentos não têm a facilidade do agronegócio e da mineração para encontrar outros destinos. Além de enfrentarem a concorrência asiática, muitos produzem sob encomenda e cativam clientes após muitos anos de relacionamento. Os EUA acusaram o Brasil de ter dificultado um acordo. Na prática, queriam uma concessão sobre temas inaceitáveis para o País, como restringir parcialmente o Pix, isentar de tributos e multas as plataformas digitais e facilitar a entrada do etanol de milho. Os EUA também questionaram o desmatamento ilegal, a pirataria e a corrupção, temas que se vê agora que serviram apenas de retórica no embate com o Brasil, perdendo relevância nas conversas. A balança comercial do primeiro semestre mostrou que o País superou o impacto do tarifaço anterior, conquistando novos mercados, com os Estados Unidos correpondendo a menos de 10% das exportações brasileiras e a China aumentando sua compras. Porém, isso não é motivo para o Governo Lula aceitar o novo tarifaço. É preciso questioná-lo contundentemente para trazer a Casa Branca de volta para a negociação, lembrando que o presidente americano Donald Trump se especializou em recuar a cada ameaça que faz pelos cantos do mundo.