(Vanessa Rodrigues/AT) Em Guarujá, mais de dois mil atendimentos nos prontos-socorros e unidades básicas de saúde; em Praia Grande, postos de saúde com demanda acima da média, mesma situação verificada em São Vicente, Bertioga e Litoral Sul. O ano e a alta temporada começaram com um surto de virose que rapidamente faz vítimas e ganha espaço nas redes sociais, mobilizando a infraestrutura das secretarias municipais. A notícia já foi destaque nos principais veículos de comunicação do País. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As vítimas relatam os sintomas clássicos da virose: febre, disenteria, indisposição gastrointestinal, dores de estômago, vômitos e mal-estar geral, que atingem indistintamente crianças, adultos e idosos. Embora muitos especialistas estejam vindo a público alertar que tal situação é comum no verão e, especialmente, nos momentos de grande concentração de pessoas, como as festas de final de ano na praia, não se pode manter na normose que centenas de milhares de pessoas sejam acometidas do mesmo mal, ao mesmo tempo, em uma região eminentemente turística, que aguarda esta época do ano para ampliar a oferta de vagas temporárias no comércio, restaurantes e rede hoteleira. Para além dos reportes que citam o retorno antecipado de famílias inteiras a suas cidades de origem, abreviando um período de férias e consumo nas cidades da região, tal cenário arranha a imagem turística da Baixada Santista. A responsabilidade é coletiva. A Sabesp, responsável pela coleta e tratamento de esgotos e pelo abastecimento de água, sinalizou, duas semanas atrás, que este é o período mais desafiador para a oferta dos serviços. Há que se entender que o consumo de água mereça parcimônia e uso racional por parte dos cidadãos, mas a existência de esgoto chegando às praias e o extravasamento em vias públicas são situações anormais em qualquer época do ano. Se há ligações irregulares que levam efluentes à rede de águas pluviais, a identificação e posterior retificação devem ser feitas durante o ano, e seus responsáveis devidamente punidos. É sabido que o esgoto a céu aberto é fator potencial para contaminar areia e praias. O forte calor e a expectativa de um dos verões mais quentes das últimas décadas tornam o quadro mais delicado, que exige campanhas permanentes de uso racional da água, cuidado especial com crianças e idosos e, acima de tudo, fiscalização por parte das vigilâncias sanitárias municipais em estabelecimentos que comercializam alimentos e bebidas. Nas unidades de saúde, as equipes de pronto atendimento precisam ser reforçadas para dar conta do aumento na demanda. Não se pode tratar como normal e cotidiano que surtos de virose ocorram no verão nas cidades do Litoral. Assim como se reforçam as equipes de policiamento para garantir a segurança nesta época do ano, talvez se deva pensar em ampliar também o quadro de saúde nas unidades municipais e também de vigilância sanitária, além de campanhas permanentes para orientar a população e os turistas com cuidados extras que precisam ser adotados e incorporados ao dia a dia.