[[legacy_image_58962]] O governo apertou o passo para adotar uma série de medidas na área econômica e, consequentemente, ter realizações a mostrar na campanha pela reeleição. É um movimento que só ocorre a apenas um ano e meio do fim da atual gestão. Os agentes econômicos dependem muito dos sinais do Executivo para adquirir confiança para consumir ou fazer investimentos. Queda da inflação, redução do desemprego, mercado externo em expansão e, principalmente, controle da pandemia por meio da vacinação acelerada são os fatores fundamentais para a retomada, mas um governo realizador e que não anda em círculos é essencial para estimular o País em momento de reaquecimento do Produto Interno Bruto (PIB). Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Essa caminhada para o governo acelerar suas realizações conta com o empurrão do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL). O primeiro resultado concreto foi a aprovação da MP da Eletrobras, que viabiliza a privatização da estatal (o governo reduzirá sua participação de 60% para 45% no capital da empresa). Não foi o melhor resultado esperado pelo mercado, que mesmo assim aprovou a solução dada pelos parlamentares. Com as mudanças impostas pelos congresssitas no sistema elétrico, os R\$ 60 bilhões estimados para a venda devem ser anulados pelos R\$ 84 bilhões em custos, mas que devem recair sobre os consumidores, segundo cálculos de analistas, negados pela equipe econômica. Porém, o governo pode conquistar o que tentava desde a posse, uma privatização pelo menos entre suas realizações. O próximo passo é destravar a reforma tributária, que poderá sair nos mesmos moldes da MP da Eletrobras. Assim, haveria um texto de consenso do governo com os líderes do Centrão e que aos poucos sairia desidratado nas negociações. Se isso ocorrer, não será grande surpresa, pois os conflitos são imensos entre União, estados (entre eles próprios com guerra fiscal) e os municípios, estando do outro lado a indústria e os bancos e setores não tão influentes em Brasília, como pessoas físicas e pequenas empresas. Além disso, como publicou o jornal Valor Econômico, Guedes costurou nos últimos meses uma série de medidas de seu ministério para entrar em vigor no máximo até outubro devido à legislação eleitoral. Entre os destaques estão encorpar o Bolsa Família, uma conta dificílima de fechar até o momento, deslanchar o programa habitacional Casa Verde e Amarela e lançar os bônus, que estimularão a contratação de jovens, embutindo no pacote a capacitação deles. O apelo eleitoral é muito forte, assim como o embate com os adversários, em meio ao debate político que vai se acirrar. Mas o País não pode ficar parado até a eleição. Os economistas acham que o PIB tem condições de crescer 5% neste ano, um percentual robusto, mas graças à base raquítica de comparação do ano passado – entretanto, seria uma recuperação e o governo tem que sinalizar nesse caminho.