(Marcelo Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo) Enquanto a economia brasileira dá sinais positivos em relação à queda do desemprego e à alta do PIB, e demonstrações nem tanto auspiciosas sobre inflação e ajuste fiscal, um setor em especial apresenta crescimento: o automotivo. O País produziu cerca de 2,5 milhões de veículos em 2024, voltando a ocupar a oitava colocação no ranking dos maiores produtores do mundo. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). De acordo com o levantamento, a fabricação de veículos novos cresceu 9,7% em comparação ao ano anterior, atingindo o maior patamar desde 2019. Foram produzidos 2,574 milhões de veículos nos 12 meses de 2024, contra 2,324 milhões do mesmo período de 2023. O resultado coloca o Brasil à frente de países como Espanha e Tailândia. A liderança – sinal dos tempos – não é mais dos norte-americanos, e sim da China, com 31,1 milhões de unidades, contra 11,9 milhões do Estados Unidos. A alta do ano passado representa um avanço após a queda de 1,9% em 2023, quando houve a primeira retração na fabricação de veículos no Brasil desde 2016, um ano conturbado na política e na economia. Os bons ventos não sopram apenas na direção de automóveis e veículos comerciais. A indústria brasileira de motocicletas produziu 1.748.317 unidades em 2024, obtendo o melhor desempenho do segmento desde 2011. A alta foi de 11,1% diante do registrado no ano anterior, segundo revela a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). O número de motocicletas comercializadas foi de 1.876.427 unidades, uma alta de 18,6% na comparação com 2023. Conforme especialistas do setor, os números poderiam ser melhores ainda. Márcio Lima Leite, presidente da Anfavea, declarou que “se não fosse o dólar e a taxa de juros em alta, o Brasil estaria em um patamar de 3 milhões de unidades vendidas”, comentou. A redução da taxa de juros é um pleito do presidente Lula desde sempre, mas a dificuldade em cortar gastos e criar um clima favorável entre os agentes econômicos joga contra as pretensões governamentais. Por isso, merece todo o reconhecimento a expansão de um setor que depende essencialmente de crédito. “Foram colocados no mercado mais de R\$ 200 bilhões em financiamento de veículos. Isso faz um ticket médio de cerca de R\$ 30 mil por veículo. Mesmo assim, ao contrário do que todos pensam, a inadimplência caiu”, salienta Márcio Lima. Até por isso, é importante que o Ministério da Fazenda não perca de vista o horizonte de mudanças e evite trapalhadas como a do Pix, cuja emenda saiu pior do que o soneto. Uma vez perdidos o timing e o clima para a implementação de medidas, fica difícil corrigir a rota, independentemente de fake news e distorções de natureza política que venham a ser produzidas.