(Divulgação / SSP) Foram publicados de forma concomitante uma pesquisa de opinião e um relatório com dados oficiais que, embora com finalidades distintas, apontam para o mesmo cenário: a segurança pública figura no topo das preocupações do brasileiro, mais até do que as incertezas sobre economia, e dados oficiais evidenciam que essa liderança tem fundamento. Na quarta-feira, pesquisa da Genial/Quaest apontou que 29% dos entrevistados indicaram que os altos índices de criminalidade tornaram a segurança pública como o maior problema do Brasil atualmente. Na pesquisa anterior, eram 26% os que citaram a violência como principal preocupação. Na quinta-feira, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou estatísticas recentes sobre morte de crianças e adolescentes nos últimos dois anos por intervenção policial no Estado de São Paulo. De 2022 para 2024, as mortes cresceram 120%. Na faixa entre 10 e 14 anos, o Estado passou de uma morte em 2022 para quatro em 2024. Entre 15 e 19 anos, os registros passaram de 34 para 73 também por intervenção policial. Na outra ponta, o número de pessoas mortas por policiais militares em serviço cresceu 61% de 2022 para 2024 em São Paulo. Esse é apenas um recorte estatístico que considera a relação de mortes de jovens por ação de policiais, geralmente em confrontos. Para além dos dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as próprias estatísticas da Secretaria de Segurança Pública aponta para índices preocupantes. Na Baixada Santista, furtos tiveram aumento de 5% na comparação entre os dois primeiros meses de 2024 e igual período de 2025. Em tentativas de homicídio, o aumento foi de 30,7%. A percepção do cidadão, retratada na pesquisa Genial/Quaest, está em sintonia com as estatísticas, mas também é fruto da sensação de insegurança diariamente exposta na imprensa e nas redes sociais. É sabido que nem todas as ocorrências, como furto de celulares, carteiras, bicicletas e outros objetos de valor, são reportadas à polícia, o que acaba gerando um subnotificação importante e prejudicial à tomada de decisões, mas não faltam evidências de que esse é um tema sensível e para o qual nenhum governo deve olhar como secundário. As razões para a violência são multifatoriais, então, o combate e a formação de políticas públicas eficientes também devem ser integradas, em todas as esferas. Os impactos da criminalidade vão além do cotidiano das pessoas, afetando diretamente a imagem do país no cenário internacional. A violência e a ineficácia das forças de segurança na proteção da população projetam uma imagem negativa, que pode desencorajar investimentos estrangeiros, afetar o turismo e prejudicar a confiança em uma nação. Quando a segurança pública é negligenciada, não só as comunidades são afetadas, mas o país perde credibilidade como um local seguro e estável, o que é essencial para o progresso econômico e a atração de novos negócios.