[[legacy_image_333689]] O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Centro Nacional de Gerenciamento de Risco e Desastre (Cenad), prevê importantes mudanças no clima nos próximos meses, com possível impacto negativo na economia e também no cotidiano da população. Os cientistas afirmam que o El Niño, fenômeno que causa o aquecimento do Oceano Pacífico, começará a perder força a partir de abril, e que o La Niña, com 50% de possibilidade, passará a atuar no próximo semestre. Os pesquisadores dizem que até abril persiste o risco de seca, o que preocupa o agronegócio e também o governo, pois o setor sustentou o crescimento do País no ano passado. Entretanto, o La Niña, que causa o efeito contrário no Pacífico, deixando suas águas mais frias, poderá provocar estiagem em algumas regiões e muitas chuvas em outras. Devido às mudanças climáticas, é possível que o La Niña repita uma característica do El Niño, que é a forma extrema, com tempestades violentas e seca implacável. Na agricultura, o primeiro semestre é o principal período do ano para várias culturas. Assim, temporais ou aridez poderão quebrar a safra no curto e médio prazos. Há impacto também nas hidrelétricas. Apesar das chuvas constantes, os reservatórios estão em média 57% cheios, pois houve muita seca nos últimos anos, lembrando que ela não se manifesta de maneira uniforme pelo País por suas dimensões continentais. Há o problema das usinas a fio d’água (não têm lagos) construídas recentemente, como as dos rios Madeira (Jirau e Santo Antônio) e Xingu (Belo Monte), que dependem da vazão (desses rios), um risco elevado com as mudanças climáticas. Na estiagem, o sistema elétrico aciona as termelétricas, mais caras e de impacto ambiental. Deve-se lembrar ainda que o calor excessivo causa picos de consumo de energia no fim do dia, encarecendo a tarifa, ainda mais com a expansão dos parques solares, que nessa hora param de contribuir para o sistema. Durante o El Niño, houve seca rigorosa na parte contígua ao Uruguai no Rio Grande do Sul e extremada no Amazonas, e neste momento há estiagem no Mato Grosso do Sul e no norte de Roraima. No caso das chuvas, a percepção foi mais clara, com enxurradas também do Rio Grande do Sul e de lá até o Sudeste e ainda no leste do Nordeste (como no sul da Bahia e região de Recife). Em suas manifestações anteriores, o La Niña fez chover mais no Norte e Nordeste e trouxe estiagem ao Sul e Sudeste. Não apenas a economia poderá sofrer impacto, como os governos terão que reforçar planos de emergência para catástrofes. Isso exige ampliar o alcance do Cenad, órgão da Defesa Civil que monitora e gerencia esses casos, ainda pouco conhecido no País. Mas a prevenção não depende apenas de sistemas de alerta e previsão do tempo. Investimentos na urbanização e na habitação também são necessários para reduzir os impactos climáticos.