(Lula Marques/Agência Brasil) Na segunda-feira, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), escreveu nas redes sociais que, “entre um policial ser vítima e bandidos tombarem, que eles levem sempre a pior”. Ele se referiu a uma ação da PM, que apreendeu quatro fuzis e drogas, resultando nas mortes dos criminosos. O discurso nem chamaria a atenção se tivesse saído de um político da extrema direita. Do PT ou de alas da esquerda, a fala mais previsível teria relação com críticas a ações policiais violentas ou com a necessidade de investir em políticas sociais para reduzir a criminalidade. De fato, as mortes causadas pelas operações das forças de segurança e a falta de investimentos em educação e saúde nos bolsões de pobreza são problemas sérios que precisam ser discutidos. Porém, a insegurança com que se vive hoje atingiu proporções inaceitáveis e são necessárias medidas objetivas e rápidas para combater a audácia dos bandidos, que parecem não ver limites para agir. Por outro lado, bravatas e discursos batidos não vão levar a resultados realistas. Depois da gestão direitista passada e da atual, pouco de prático foi feito contra a violência, que se mantém firme via organizações criminosas, com roubos de celulares e assaltos com motos. Em meio às queixas contra a inflação dos alimentos, principalmente como motivo da queda de popularidade do presidente Lula, a segurança voltou a ser o tema do momento. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, disse que a polícia executa mal as prisões, obrigando o Judiciário a soltar os detidos. Ele se retratou depois, afirmando que as polícias são eficientes, mas que precisam ser melhor equipadas. Ele havia dado uma resposta a críticas geralmente feitas por policiais e governadores de que, ocorridas as prisões, os bandidos acabam sendo soltos pelos juízes. Com a postagem de Elmano e de Lula, de crítica contra ladrões de celulares e de que deu aval a projeto que torna as penas mais rigorosas, o governo indica que dará uma guinada em sua política de segurança. O interesse eleitoral é evidente, mas se algo for efetivamente realizado e der resultados, o ganho será da sociedade. Mas há risco de ser somente um aceno eleitoreiro, com pouco tempo para sair do papel, um ano antes da eleição. Ondas de violência têm atormentado a população nas últimas décadas, o que fez tanto Fernando Henrique Cardoso como Dilma Rousseff lançarem planos de segurança, e o próprio Lula, com Lewandowski, propondo revisar os papéis das polícias e dos estados nessa área. Mas ao longo do tempo a insegurança avançou, com as organizações criminosas se aproveitando das inovações tecnológicas para atuarem em grandes territórios. Lewandowski disse corretamente que o poder público também precisa se modernizar e que as forças dos estados têm que atuar conectadas, trocando informações e compartilhando estruturas. Mas não há sinal de que governadores e União se entenderão sobre uma reação nesse sentido.