(FreePik) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou na última quarta-feira uma visita que vai até amanhã à Índia e que prosseguirá na Coreia do Sul. Nessas missões, o Brasil busca negócios na febre do momento, minerais críticos e terras raras, e ainda aumentar a exportação de aviões, e agronegócio, especificamente carne de frango e feijão. São conversas com dois parceiros que há muitos anos o País tenta destravar e que ganharam o empurrão com a guerra comercial dos Estados Unidos. Um cenário que amplia a chance de sucesso. A Coreia do Sul fez promessas de investir centenas de bilhões de dólares nos EUA, de quem depende militarmente. Já a Índia, que assim como o Brasil tem economia muito fechada, conseguiu reduzir suas sobretaxas de 50% para 25%, comprometendo-se a importar mais produtos americanos. Além disso, cedeu à exigência do presidente Donald Trump de não importar petróleo russo. Entretanto, a Índia tem desentendimentos com a China e precisa encontrar frentes alternativas às duas potências, o que a direcionou ao Brasil e à União Europeia. Os países asiáticos, em geral, almejam diversificar seus laços comerciais para sofrer menos com o cerco americano, que tem como trunfo interesses geopolíticos. Desde o início do Governo Trump, no ano passado, o Brasil tem atuado mais objetivamente para fazer diversos acordos, iniciativas que as gestões petistas deixaram de lado por muitos anos, à exceção do pacto com a UE. Por outro lado, o setor privado brasileiro também passou a buscar por conta própria outros mercados em substituição aos EUA. As vendas externas aos EUA realmente recuaram, mas as fronteiras se expandiram para outros clientes, como Japão, Coreia do Sul e Indonésia. Mas é o Vietnã, além da China, que tem se destacado como importador. Lula até já enumerou grandes economias europeias ultrapassadas pela nação vietnamita no comércio com o Brasil, como a França. O Brasil também tem se destacado pela expansão de suas multinacionais, como a instalação de unidades de processamento de carne na Nigéria e a expectativa de construção de uma fábrica da Embraer na Índia, uma reivindicação do premiê Narendra Modi. A montadora de aviões quer vender jatos comerciais à Índia, que faz um agressivo investimento em aeroportos regionais. Porém, Modi planeja comprar 80 aviões militares, uma encomenda que levará a Embraer a enfrentar a americana Boeing e a japonesa Kawasaki. Além de ser competitivo no agronegócio e na aviação, o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com a desvantagem de não ter capital nem tecnologia para produzi-las e refiná-las, enquanto os adversários da China, líder nessa área, querem extraí-las sem deixar valor agregado no Brasil. Por isso, a diplomacia comercial do Itamaraty e a firmeza de Lula nas negociações serão fundamentais para transformar esse segmento relevante para a economia brasileira.