[[legacy_image_323726]] A pandemia foi o grande teste da saúde pública brasileira, mostrando a relevância de um programa universal de vacinação e do Sistema Único de Saúde (SUS). Com programas nas mais diversas áreas da atenção médica dos brasileiros, chegou a hora da pasta da ministra Nísia Trindade Lima buscar um acelerado salto de qualidade. O PT tem se queixado que Nísia não dá visibilidade às realizações do governo nessa área, mas é melhor assim. Programas vistosos que rendem votos costumam consumir muitos recursos sem resultados de longo prazo e sob o risco de serem abandonados em caso de mudança de partido no poder. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A saúde está num momento muito parecido ao da educação, que é conseguir oferecer os serviços a toda a sociedade, mas faltando garanti-los a uma qualidade satisfatória e a um custo razoável para o contribuinte brasileiro. Em um País com grande concentração de renda e muitos pobres, há uma demanda elevadíssima por serviços públicos, onde a falta de recursos sempre é um entrave para se obter avanços. No caso da saúde, ter recursos e empregá-los de forma eficiente a baixo custo se tornou essencial para poder atender todos os brasileiros. Até porque nessa área, de tanto investimento tecnológico, os tratamentos médicos estão ficando cada vez mais caros, a ponto de preocuparem os eleitores dos países mais ricos, como os EUA, que buscam atendimento na Índia, onde há preços mais baixos para serviços de qualidade e, por isso, o país fatura com o turismo da saúde. Das prioridades da saúde pública, o envelhecimento rápido da população exige uma guinada da atenção dos governos. Há ainda os pacientes que ficaram com sequelas da covid, um tratamento que ainda depende de muita pesquisa e notificação dos casos, e surgiu pressão extra sobre o atendimento público: jovens que trabalham por aplicativos e que não têm plano de saúde nem pagam Previdência. São problemas para o curto, médio ou longo prazos associados à atividade no trânsito, muitas vezes incapacitantes, e com efeitos complexos, como impossibilidade de gerar renda. Quem vai estar lá na frente para atendê-los será o SUS. Uma epidemia de transtornos mentais, sem sinal de que irá arrefecer, e altos índices de violência, com efeitos psíquicos e de ferimentos com reflexos para toda a vida, também geram uma demanda assustadora para a saúde pública. Além disso, com metrópoles gigantes, ondas migratórias, estímulo às viagens turísticas e destruição ambiental, ampliando o contato com patógenos pouco conhecidos, há o risco de mais epidemias ameaçadoras, exigindo novas vacinas. No fim das contas, a saúde vai exigir mais recursos para pesquisas e desenvolvimento de novos tratamentos, além de ter que levar atenção a uma camada numerosa da sociedade que não conseguirá pagar pelo custo do atendimento, considerando ainda que o aumento da longevidade impõe mais despesas com doenças típicas da velhice.