[[legacy_image_155864]] Já era esperado que a pandemia, com as sequelas deixadas pela covid-19 e prejuízos à prevenção ou tratamentos devido ao isolamento social, aumentaria a demanda dos serviços públicos e privados de saúde após a pandemia. Pois a doença ainda continua em disseminação, mas aos poucos começam a aparecer sinais mais evidentes de uma sociedade adoecida pela covid-19. É o caso do aumento da procura por atendimento de psicólogos e psiquiatras das prefeituras em até 110% em cidades da Baixada Santista, entre 2020 e o ano passado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Considerando que fenômeno parecido esteja ocorrendo em outras modalidades da Medicina, como cardiologia e combate ao câncer, os governos terão que redimensionar a atenção à saúde, destinando mais recursos, reestruturando unidades básicas, de pronto atendimento e principalmente de especialidades, e ampliando suas equipes. Com a tradicional falta de recursos para a saúde e um histórico de planejamento insatisfatório, fica o risco de haver uma grave crise, com a rede pública sem condições de cuidar da procura por atendimento no curto prazo e muitos menos dar conta das campanhas de prevenção nos municípios. Essa corrida por atendimento da saúde mental pode ser reflexo de pacientes que adiaram a ida aos consultórios, mas profissionais entrevistados por A Tribuna sinalizam um “processo de adoecimento coletivo”, nas palavras da coordenadora de Saúde Mental de Santos, Letícia Ferreira dos Santos. Também se acredita que o isolamento social deflagrou vulnerabilidades social, financeira e emocional, levando a uma cadeia de transtornos. As redes municipais registram ansiedade, fobias, bipolaridade, depressão, pensamentos suicidas, autoagressão, violência doméstica e abuso sexual infantil. Em Santos, esses casos são direcionados aos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps), com psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e enfermeiros. São em média de 2,5 mil a 3 mil casos ativos em cada unidade do Caps adulto e de 600 a 800 de crianças e adolescentes na unidade infantojuvenil. A pressão sobre a rede de saúde mental é notada em toda a região. Em Guarujá, a demanda do Caps cresceu 50%, com a prevalência de ansiedade e pensamentos suicidas, com destaque para situações de luto e perdas financeiras, marcas da pandemia. Há ainda o antigo problema das drogas, que exige um atendimento especializada nos serviços de saúde mental. É o caso de Itanhaém, onde o Caps AD registrou uma expansão da procura de 60% em um ano. A saúde pública tem uma característica particular – além de ser sobrecarregada por novas doenças ou antigas que retornam, como dengue, sofre um contínuo aumento de demanda se a população notar que suas necessidades podem ser atendidas. Por isso, os governos precisam melhorar a destinação de verbas ao setor, lembrando que uma retomada parcial da economia e a inflação melhoraram a arrecadação com impostos.