[[legacy_image_246897]] Diz-se que os bancos vão bem tanto no crescimento da economia como nos períodos restritivos, com o aumento das taxas de juros. Entretanto, neste momento, com a taxa Selic nas alturas, e alguns grandes varejistas em dificuldades, o sistema bancário enfrenta o fantasma do calote. O País está longe de um risco sistêmico no setor, que ainda mantém lucros elevados, mas o peso da inadimplência no resultado dos bancos indica uma dificuldade para a concessão de empréstimos, mais um fator contrário a uma aceleração do Produto Interno Bruto (PIB). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Por isso, é fundamental que o governo se atente a medidas de curto prazo para estimular a queda das taxas e viabilizar a renegociação dos endividados, prevista no programa Desenrola, que aparentemente está em uma costura complexa e demorada. Por outro lado, o presidente Lula precisa deslanchar outras iniciativas que colaborem para uma sensação de confiança na economia, como investimentos na habitação e infraestrutura e uma rápida tramitação da reforma tributária, que poderá reduzir os custos das empresas com a criação do Imposto de Valor Agregado (IVA). No ano passado, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander lucraram o total de R\$ 64,3 bilhões. O resultado foi robusto, mas representou uma queda de 7,3% em relação a 2021. Trata-se de um reflexo das dificuldades das pessoas físicas – oito em cada dez têm dívidas no País. O problema é que um quarto das famílias possuem contas atrasadas. No fim de tudo, como forma de proteção, o sistema bancário pende para o lado mais prático, que é dificultar a concessão de financiamentos a cidadãos e empresas. Porém, o caso Americanas, em que se descobriu que a varejista tinha R\$ 20 bilhões de inconsistências no balanço, gerou uma desconfiança, com reflexos de que outras empresas do setor possam ter problemas parecidos. Em reação, os bancos fizeram provisões de até 100% sobre as dívidas da Americanas, de R\$ 42 bilhões. Provisões são reservas para cobrir eventual calote, um dinheiro que deixa de ser emprestado, o que é ruim para o próprio comércio e outros negócios que demandem de financiamento para crescer. Mas não faltam ruídos no segmento bancário. Além da Americanas, que entrou em recuperação judicial em meio a críticas dos bancos de que houve fraude na empresas, a Lojas Marisa também relatou grande volume de dívidas, apesar de estar em situação melhor. Dos outros setores, a tele Oi também deve entrar em recuperação e a Light contratou consultoria de reestruturação financeira. Essas companhias não sofreram desvalorização acentuada apenas na bolsa – nas debêntures (títulos que pagam juros) também. Isso afeta fundos de investimento que compram esses papéis, assustando investidores e dificultando o acesso até de empresas em boa situação financeira ao mercado. Juros altos por muito tempo prejudicam qualquer segmento da economia.