(Divulgação/Rumo) Apesar das notícias de ataques e queixas das concessionárias, persiste o avanço do crime sobre o sistema ferroviário. Trata-se de um problema que o poder público precisa resolver, pois o transporte por trilhos está em expansão, uma forma de reduzir os custos e o impacto ambiental causado pela concentração no modal rodoviário, assim como facilita a chegada das cargas ao Porto de Santos. Conforme reportagem publicada ontem em A Tribuna, os saques e vandalismo continuam gerando riscos e perdas às empresas do setor, que precisam investir em segurança privada, dinheiro que poderia ser destinado a melhorias no sistema. O transporte de cargas por ferrovias é alvo de organizações criminosas e de usuários de drogas para revenda no mercado ilícito, conforme uma das empresas. Isso retroalimenta toda uma cadeia de crimes e colabora para manter a insegurança em níveis elevados. Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Cidadania de Cubatão, já há uma força-tarefa formada pelas polícias Civil e Militar, com apoio da Guarda Civil Municipal. De qualquer forma, o problema já chegou a Brasília, tanto que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, propôs criar a Polícia Ostensiva Federal. A nova corporação ampliará as atribuições da atual Polícia Rodoviária Federal, passando a atuar nas ferrovias e hidrovias federais. Apesar da proposta ter sido bem recebida, o tema permanece em banho-maria por estar inserido em um pacote que desagradou governadores do Sudeste e de Goiás. A insegurança das ferrovias também tem relação com a falta de uma política nacional de investimentos no modal, que ao longo das décadas passou por profunda decadência e que felizmente nos últimos tempos voltou a receber mais atenção. Entretanto, especialistas do setor, autoridades reguladoras e representantes das empresas relatam problemas com a proximidade das regiões residenciais, incluindo muitas comunidades, com os trilhos, ampliando o risco de acidentes e facilitando a prática de crimes. Isso também resulta na redução da velocidade, o que compromete a eficiência desse sistema de transporte, colaborando para aumentar os custos da economia brasileira. Esse avanço da urbanização sobre os trechos férreos também prejudica o plano de expandir as linhas de passageiros, como as já previstas para o projeto Intercidades, entre São Paulo e Campinas, com expectativa para chegar a mais regiões do Estado. Além de todas as deficiências do setor e falta de investimentos na infraestrutura em geral, o crime organizado costuma trocar alvos mais vigiados pelas polícias por outros mais vulneráveis, como foi a onda de ataques a bancos no interior ou mesmo a ferrovias, que tiveram um pico de roubos e furtos há alguns meses. É preciso investir no esforço conjunto das empresas com as forças estatais, adotar novas tecnologias, pois os bandidos também as usam, e adaptar a legislação para reprimir as novas táticas das organizações criminosas.