Apesar das iniciativas dos governos Federal e Estadual e de ferramentas dos fabricantes para combater o roubo de celulares, dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo indicam que esse tipo de crime continua a todo vapor, ainda que os registros tenham caído na região central da Capital. Também foram feitos outros avanços importantes, como o Celular Seguro, criado pelo Governo Lula, e o acionamento de botões de segurança nos sistemas do iPhone e Android. No caso da Capital, a Polícia Civil reforçou a investigação dessa modalidade, antes vista como ocorrência de menor importância perante outros casos. Nos últimos anos, ficou claro que o roubo desses aparelhos leva a inúmeros outros crimes de grande violência, desde assassinatos e sequestros para transferir recursos por meios eletrônicos a contrabando para países pobres. Segundo um levantamento do jornal O Globo, com base nos dados do Estado, o número de roubos de celulares da região central da Capital (1,3 mil, no ano passado, na região da delegacia da Sé) recuou, sinal de que a repressão policial deu resultados. Entretanto, os registros avançaram na periferia, na Zona Sul, como no Jardim Herculano, com 1.072 casos, alta de 37% na comparação com 2024. A liderança continua com o Capão Redondo, com 2.330, que ficou estável. O mais curioso é que os bandidos indicam preferência pelo iPhone, alvo de 94% dos roubos no Jardim Herculano. Por outro lado, nas redondezas da Avenida Paulista, houve queda de 56%. A reportagem não traz dados de outras regiões do Estado. A queda dos registros na região central da Capital revela a importância e eficiência da ação policial, mesmo que numericamente os casos ainda ocorram aos milhares. Porém, a migração para a periferia indica que os crimes derivados dessa prática continuam estimulando esses roubos. O crime imediato que sustenta o roubo de celulares é o da simples revenda ou desmanche de peças, evoluindo para o uso por quadrilhas especializadas para realizar fraudes bancárias de todo tipo. Neste último caso, a reportagem diz que esses bandidos encomendam aparelhos desbloqueados às gangues do “quebra-vidro”, que agem nos congestionamentos e semáforos, geralmente para arrancar os modelos fixados no painel dos carros. Porém, a Receita Federal já achou oito malas com 390 celulares que seriam despachados para o Senegal em 2020, confirmando a investigação que já apontava a “exportação” de aparelhos para Ásia, Caribe e África, onde o bloqueio do Imei, número de identificação do aparelho, não impede o uso. Mesmo com a rápida adaptação das quadrilhas dos roubos de celular, a ação das polícias precisa continuar para desmanchar a cadeia de crimes que esses bandidos coordenam. Também é fundamental que os fabricantes continuem investindo em ferramentas para bloquear os aparelhos, conscientizando os usuários sobre a importância de acioná-las.