(Agência Brasil) O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil, projetado para este ano em 4,1%, é robusto e reflete a conjunção de fatores favoráveis a investimentos no setor. Em 2025, o setor foi estimulado pela expansão do emprego e da renda, viabilizando a tomada de financiamento habitacional, prefeitos aceleraram as obras em ano eleitoral e os juros caíram de agosto de 2023 a setembro último. Mas foi fundamental a injeção de dinheiro público via Minha Casa, Minha Vida. Com 900 mil moradias lançadas pelo programa desde 2023, o segmento popular é o que mais cresce, estimulando a expansão das construtoras especializadas em imóveis de baixo custo. Conforme a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), entidade que fez o balanço do PIB do setor, de 985 mil moradias financiadas de janeiro a outubro, 516 mil contaram com dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), geralmente de programas do governo, e 469 mil com recursos da caderneta de poupança. Ainda conforme a CBIC, os lançamentos (imóveis que serão vendidos e construídos) somaram 260 mil unidades no ano até setembro, 17% acima do que foi verificado em igual período de 2023. O estudo aponta ainda que as vendas estão em nível acima da construção, sinalizando redução de estoques e pressão sobre os preços. O desempenho da construção é fundamental para o PIB geral por movimentar diversos outros setores. Conforme a CBIC, de janeiro a outubro, as obras geraram 230 mil empregos com carteira no País, sendo que 91 mil foram voltados à produção de edifícios (o restante se divide em obras de infraestrutura e serviços especializados de construção). A expansão construtiva também reflete nas vendas de cimento, que aumentaram mês a mês durante o ano, acumulando 64 milhões de toneladas até novembro – 4% a mais do que mesmo período de 2023. A comercialização de insumos e materiais aumentou 5% na soma de janeiro a outubro sobre 2023. Como aquecimento da economia anima a inflação, a CBIC alerta ainda que os custos do setor subiram 6,34%, superando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,87%, em 12 meses até novembro. Porém, no próximo ano, as condições serão mais difíceis não só para o setor como para o País. A Selic, recém-ampliada para 12,25% ao ano, deverá ser esticada para 14,25% em março, o que vai encarecer o custo dos empréstimos e deverá desacelerar o mercado de trabalho e a renda. Assim, a CBIC prevê que o PIB da construção crescerá 2,3% em 2025, menos do que em 2024, mas ainda uma expansão em bom nível. Mas há ainda o problema paralelo da perda de recursos da caderneta de poupança devido ao baixo rendimento e da insuficiência do FGTS para dar conta dos empréstimos habitacionais populares. São questões que o governo precisa resolver para manter a construção como um dos motores do País em 2025.