(Imagem ilustrativa/ FreePik) A corrida mundial por minerais críticos, muitas concessões de infraestrutura pelo País, grandes projetos como o túnel Santos-Guarujá, investimentos imobiliários e o estímulo aos data centers devem causar o excelente efeito colateral da geração de empregos, principalmente para engenheiros. Entretanto, há alguns anos essa carreira enfrenta uma queda impressionante na atração dos jovens, resultando no recuo das matrículas nas faculdades da área, conforme A Tribuna publicou ontem. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon), o Brasil precisaria ter hoje 75 mil engenheiros a mais, déficit que poderá aumentar para 500 mil até 2030. O Sinicon apontou também que o número de matrículas em cursos de Engenharia caiu 26% entre 2015 e 2024, recuando de 1,2 milhão para 887 mil estudantes. Já o Instituto Semesp, do sindicato que representa as entidades mantenedoras do ensino superior paulista, em reportagem do Jornal Valor Econômico, registrou uma queda de 53% dos formandos em Engenharia no País entre 2018 e 2023. Como se trata de uma carreira essencial para o crescimento econômico, o Ministério da Educação deveria ampliar suas políticas para a Engenharia. Já há especialistas em infraestrutura defendendo a atração de imigrantes com essa formação para reduzir a carência de profissionais. Entretanto, apesar de o País estar próximo do pleno emprego, ainda existe uma massa em funções de menor remuneração e chances reduzidas de ascensão profissional. Por isso, é preciso mostrar aos jovens que a Engenharia oferece qualificação para atuar em inúmeros segmentos da economia, desde a construção pesada até os setores que demandam muita tecnologia. Especialistas em educação veem uma relação do desinteresse pela Engenharia com a baixa qualidade do ensino básico. Pesquisas mostraram que muitos alunos do Ensino Médio evitam as Ciências Exatas por terem dificuldades com Matemática. Também se acredita que os jovens, mais imediatistas, demonstram pouca paciência para se dedicar a uma formação mais demorada e com disciplinas tradicionais. Além disso, há bobagens propagadas nas redes sociais, de que "ser CLT" (registrado em carteira) se tornou ultrapassado e que o legal é ganhar dinheiro com redes sociais ou serviços por aplicativos. Como solução, o governo diz que busca fortalecer a educação básica de Matemática e Ciências, atualizar o currículo dos cursos que sofrem evasão e modernizar o ensino da Engenharia com foco em novas tecnologias. Porém, as entidades que representam as empresas continuam se queixando de dificuldades para contratar engenheiros jovens. Como saída para esse problema, os empregadores e o setor público precisam ouvir os estudantes do Ensino Médio e acelerar a implantação das medidas de estímulo, incluindo mais financiamento estudantil. Sem isso, persistirá o risco do apagão na Engenharia no País.