(Mario Oliveira/Ministério do Turismo) Mesmo com impressionantes extremos climáticos registrados nos últimos anos, a Assembleia Legislativa do Mato Grosso aprovou, na semana passada, projeto que abre brecha para desmatar ainda mais a Floresta Amazônica, segundo ambientalistas, em reportagem do Estadão Conteúdo. A proposta, que depende apenas da sanção do governador Mauro Mendes (União), permite considerar parte do bioma da Amazônia como sendo de cerrado. O Observatório Socioambiental de Mato Grosso alerta que a mudança dará espaço para derrubar 5,2 milhões de hectares (52 mil km²), área equivalente à do Rio Grande do Norte ou à soma de Alagoas, Sergipe e Distrito Federal. Apesar de ser uma norma do Mato Grosso, tamanho afrouxamento poderá servir de precedente para outros estados. Mas uma eventual destruição da mata preocupa por ter reflexos no regime de chuvas no Sul-Sudeste. Aliás, essa proposta, que originalmente apenas ajustava a escala de mapas do Cadastro Ambiental Rural (CAR), acabou sendo desfigurada na tramitação, diz a reportagem. Conforme as regras atuais, das propriedades em reservas na Amazônia, 80% da área não podem ser desmatados. No caso do cerrado, o limite é bem menor, de 35%. O projeto do deputado estadual Nininho (PSD) define como áreas da Floresta Amazônica as com vegetação predominante entre 30 e 50 metros de altura, enquanto a média até 20 metros é de cerrado. Entretanto, ambos os biomas não devem ser avaliados apenas por essa métrica, mas pela principal riqueza de ambos, a diversificação da fauna e flora e também por abrigarem nascentes ou bacias hidrográficas essenciais não apenas para o Brasil, mas para o planeta. Aliás, as chuvas intensas devastaram o Rio Grande do Sul no fim do primeiro semestre do ano passado e a seca causou perdas ao agronegócio, como a soja, também em 2024. Por isso, impressiona que o Legislativo discuta projetos que possam causar um importante retrocesso frente ao esforço para recuperar os biomas. O País deve se desenvolver e gerar oportunidades para as empresas e empregos para os trabalhadores, mas é preciso investir no crescimento econômico sem destruir o meio ambiente, pois as mudanças climáticas se mostraram implacáveis. São fenômenos de seca, chuvas e furacões resultantes do aquecimento da Terra que ocorrem cada vez mais em níveis extremos, com grande impacto nas áreas urbanas, com enchentes, desmoronamento de encostas e incêndios. Neste último caso, com o fogo agora avançando sobre a periferia enriquecida de Los Angeles – o balanço até sábado apontava 11 mortos e 180 mil habitantes evacuados. Deve-se lembrar que 2024 foi o ano mais quente já registrado e que os cientistas preveem que a La Niña, que ajudaria a resfriar o planeta, tende a ter efeitos mais brandos do que se imaginava. Obviamente que a proteção dos biomas traz limitações, e é com elas que a sociedade precisa aprender a conviver pela sua própria sobrevivência.