Imagem ilustrativa (Freepik) Operações policiais contra falsificações e alertas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre pancreatite aguda por uso indevido e fiscalização de farmácias de manipulação mostram a elevada disseminação das canetas emagrecedoras entre a população. Apesar dos riscos, a Anvisa considera que esses medicamentos, que combatem obesidade e diabetes tipo 2, trazem mais benefícios terapêuticos do que efeitos adversos. De qualquer forma, as autoridades médicas e reguladoras, incluindo as relacionadas ao varejo e à publicidade, devem ficar atentas à necessidade de conscientizar a população sobre esses produtos, que não podem ser glamourizados e devem ser ministrados somente por necessidade, sob uso controlado. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Para se compreender a dimensão que as canetas emagrecedoras atingiram, uma pesquisa do Instituto Locomotiva, em reportagem do jornal Valor Econômico, revela que esses medicamentos já interferem na frequência a restaurantes e pedidos de delivery e também no consumo de alimentos, com efeitos nas vendas dos supermercados. A pesquisa aponta que oito em cada dez pacientes com canetas emagrecedoras afirmam que apresentaram redução de apetite. Esse dado é importante por explicar a redução do consumo ou troca de ultraprocessados por alimentos naturais. Salgadinhos, doces, bebidas açucaradas ou alcoólicas e massas registraram menor aquisição por famílias com usuários desses medicamentos, enquanto houve uma maior procura por proteínas magras, frutas, vegetais, integrais, chás sem açúcar e até água. Nas residências pesquisadas, em 47% houve diminuição na frequência a restaurantes e 56% no caso dos pedidos de delivery e fast food. Essa mudança drástica na alimentação é muito positiva, com benefício importante à saúde. Entretanto, os pacientes precisam se manter fiéis às recomendações médicas, não abandonando o tratamento, e conseguindo pagar o custo das canetas emagrecedoras, que não são baratas. Conforme a pesquisa, 39% dos domicílios das classes A e B têm usuários das canetas, e 30% nas C, D e E. Mas o que preocupa é que operações policiais identificaram falsificações, que têm potencial de causar grandes danos à saúde. Também há o risco de pancreatite aguda, com 145 notificações no Brasil desde 2020. A Anvisa também alertou sobre riscos de aspiração em procedimentos anestésicos e “perda de visão rara” associada à semaglutida, princípio ativo desses medicamentos. Por isso, a Anvisa passou a exigir retenção de receita. As canetas se provaram altamente benéficas, mas como esse tratamento tem relação não apenas com a saúde, mas também com a vaidade, a conscientização do público e a constante orientação dos profissionais de saúde se tornaram fundamentais. Como há expectativa de redução de preços, com quebra de patente e produção nacional, isso poderá popularizar ainda mais o consumo, exigindo muita fiscalização na venda e acompanhamento dos resultados terapêuticos.