A fábrica da Oxitec Brasil, inaugurada na quinta-feira (2), entra em operação como uma resposta direta ao apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) para acelerar o acesso a tecnologias (Marcelo Camargo/Agência Brasil) A decisão do Ministério da Saúde de suspender a vacina contra dengue do Instituto Butantan foi correta. Com 42 reações adversas após a aplicação do imunizante, incluindo nesse número duas mortes sob investigação, a medida vai dar tranquilidade à população, assim como haverá tempo para informar adequadamente os já vacinados. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que houve um “sinal de alerta” que impôs a descontinuidade da campanha para poder estudar tais efeitos. Deve-se ressaltar que as autoridades envolvidas, dos governos Estadual e Federal, tomaram uma postura técnica, devidamente posicionada com o que realmente interessa – buscar respostas para a sociedade. Infelizmente, essa notícia paralisa uma das iniciativas mais importantes dos últimos tempos da saúde pública. Aliás, a Baixada Santista esteve entre as primeiras regiões que sofreram com a volta dessa doença há três décadas, e cuja persistência mantém o risco de uma incidência mais ameaçadora. Por isso, a vacina era aguardada com muita ansiedade. Por outro lado, espera-se que a paralisação ajude a desarmar o movimento antivacina nas redes sociais, muito rápido em desinformar. Como a eficácia de uma imunização depende do banho vacinal com altíssima cobertura, um simples boicote tem condições de manter a disseminação de certas doenças por mais tempo. Suspender a vacina do Butantan foi uma medida preventiva. Isso porque os casos adversos equivalem a 0,008% dos 500 mil vacinados. Por enquanto, somente Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) tiveram seus habitantes imunizados em massa e, conforme o Butantan, nesse público não houve “casos importantes de reação adversa”. Mesmo com uma contagem reduzida, é de profunda importância que os registros graves sejam devidamente investigados para dar uma satisfação aos pacientes e familiares dos mortos. Além disso, descobrir o que efetivamente houve vai colaborar para o aperfeiçoamento desta vacina ou o desenvolvimento de outras. Também é preciso analisar se a decisão de começar a aplicá-la em públicos mais amplos foi precipitada ou se as reações adversas estão dentro dos limites tolerados pela ciência. O que se tem de concreto é que os três casos mais graves registraram sintomas intensos de dengue em até três semanas após a vacinação. Em uma das mortes, o homem, de 58 anos, apresentou quadro febril cinco dias depois da imunização, com rápida evolução para os sintomas agressivos. O Brasil se tornou exemplo mundial com suas campanhas de vacinação em massa, mantidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Enfrentar com seriedade e muita ciência o atual revés com o imunizante poderá permitir seu retorno ao SUS ou a pesquisa por resultados mais eficazes, lançando uma vacina barata e mais segura. Mas não se deve esquecer que combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti continuará sendo a única forma de acabar com a dengue.