Desde a década de 1990 até o início dos anos 2010, o Brasil fez avanços notáveis na redução da fome. Uma iniciativa foi o programa Fome Zero, lançado em 2003, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Valter Campanato/ Agência Brasil) A edição mais recente do relatório Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2024, das Nações Unidas, traz uma notícia alentadora: a insegurança alimentar severa no Brasil diminuiu impressionantes 85% no Brasil em 2023. Essa conquista marca uma reversão significativa de uma tendência preocupante que assolou o país nos últimos anos. Desde a década de 1990 até o início dos anos 2010, o Brasil fez avanços notáveis na redução da fome. Iniciativas como o programa Fome Zero, lançado em 2003 durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desempenharam um papel crucial. Esses esforços incluíram uma variedade de medidas de proteção social, como o Bolsa Família, melhorias nas refeições escolares e apoio à agricultura familiar. Em 2014, o Brasil havia saído do Mapa da Fome da ONU, significando uma redução drástica nas taxas de fome e desnutrição. A posição foi sustentada até meados de 2018. No entanto, a partir de 2019, o Brasil viu uma reversão desses ganhos. A instabilidade econômica e política, combinada com os impactos da pandemia de covid-19, levou a um aumento significativo da insegurança alimentar. Em 2022, a insegurança alimentar severa havia disparado, afetando milhões de brasileiros e empurrando o país de volta ao Mapa da Fome. A recente redução na insegurança alimentar severa, destacada no relatório Sofi 2024, é um testemunho dos esforços renovados e das intervenções políticas. A administração atual reintroduziu e expandiu programas sociais, levando a uma diminuição substancial no número de pessoas em condição de fome severa. O número de brasileiros nessa condição caiu de 17,2 milhões em 2022 para 2,5 milhões em 2023. Com o lançamento do Sofi 2024, foram também atualizados os dados globais da fome. Não houve grande progresso em âmbito mundial: estima-se que 733 milhões de pessoas no mundo estavam em situação de fome em 2023, praticamente o mesmo número apontado na edição 2022: 735 milhões de pessoas. Segundo as projeções do relatório, a serem mantidas as tendências, 582 milhões de pessoas ainda estarão cronicamente desnutridas em 2030. A melhoria no Brasil ilustra a importância de políticas sociais abrangentes e sistemas de apoio econômico robustos. Também destaca a resiliência do tecido social brasileiro e sua capacidade de se recuperar da adversidade. Embora esses ganhos sejam significativos, sustentá-los e ampliá-los exigirá um compromisso contínuo e abordagens inovadoras para a proteção social e o desenvolvimento econômico. As lições da jornada do Brasil pelos altos e baixos da segurança alimentar oferecem informações valiosas para outras nações que enfrentam desafios semelhantes. Uma abordagem coordenada e multifacetada, como exemplificado pelo programa Fome Zero, prova ser crucial no combate à fome. Avançando, manter esses esforços e abordar as causas profundas da insegurança alimentar será vital para garantir o sucesso e a estabilidade a longo prazo.