[[legacy_image_227228]] A aprovação do projeto de lei 148/22, de autoria do Governo do Estado, é mais um passo para a retomada do sistema ferroviário paulista. O texto prevê a exploração dessa atividade por concessão, parceria público-privada (PPP) ou autorização especial. Trata-se de iniciativa para dar uso à metade da malha que está em desuso ou subutilizada no Estado, que tem um total de 5 mil quilômetros de extensão. Hoje, o que se tem em atividade para cargas é executado por três concessionárias federais (Rumo, VLI e MRS). Para o transporte de passageiros, as operações se resumem à Região Metropolitana de São Paulo com o Metrô e CPTM. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Uma das possibilidades é a reativação do trecho Santos-Jundiaí para passageiros. Há três anos, já se discutia essa ideia, que inicialmente previa uma linha turística nos fins de semana, com uma ampliação em caso de bons resultados. Procurada por A Tribuna, a Prefeitura de Santos vê vantagens sob o aspecto do turismo. Considerando o fluxo constante entre a região e o Planalto e as estradas muito movimentadas, tem mais sentido apostar em exploração comercial ampla, como a do trecho Capital-Campinas, que já conta com uma discussão adiantada. Olhando-se para as décadas passadas e a maioria dos países, dos mais desenvolvidos aos mais pobres, com seus sistemas ferroviários modernos e utilizados como transporte de massa, nota-se como o Brasil desperdiçou um modal tão vantajoso e popular. No segmento de cargas, também foi um erro, pois esse transporte está excessivamente concentrado em caminhões, com o reflexo do custo dos combustíveis, principalmente nos últimos anos, com aumento do preço do petróleo associado ao dólar. Agora, há um difícil retorno, pois a retomada da malha ferroviária, não só a paulista, exige muitos investimentos de infraestrutura, o que se mostra sério problema – não é de agora que o setor público não tem recursos para esse fim, porque mal consegue cuidar de atividades básicas, como educação, saúde e saneamento. A solução é recorrer à iniciativa privada, mas essa alternativa não é uma solução simples. Capitais precisam ser acessados a juros mais baixos, toda uma indústria e rede de serviços terá que ser reativada e será preciso, em curto espaço de tempo, convencer passageiros e empresas, com suas cargas, a trocarem de modal. A vantagem é que o transporte de cargas já vem crescendo e essas concessionárias têm uma experiência a repassar. Além disso, a aprovação da Lei 148/22 é um dos primeiros passos para que essa ideia de reativar a malha ferroviária, que não é de agora e muitas vezes foi relembrada nos períodos de campanhas eleitorais, saia do papel. Por uma questão estratégica, não convém a um país de dimensões continentais concentrar sua mobilidade em um modal ou outro. A concorrência entre os diferentes meios de transporte também é uma forma de reduzir custos à sociedade e levar eficiência às empresas.