A eleição do próximo presidente da Câmara será em fevereiro e, como foi fartamente noticiado, o Palácio do Planalto tenta assumir o controle da Casa por meio do líder do Centrão, Arthur Lira (Progressistas-AL), aliado de conveniência. Para o cidadão comum, torcidas à parte, o que interessa é que importantes projetos, como reformas, tramitem e que o governo cumpra uma carteira de realizações pelo bem do País. Ou, em caso de inoperância do Executivo, que o plenário faça seu papel com ética, justiça e competência. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! A ideia do presidente Jair Bolsonaro é dar a volta por cima, após ver a ascensão da centro direita e a expansão da esquerda alternativa ao PT nas últimas eleições. Com a imagem abalada por sua inoperância frente à pandemia, ele quer monitorar a mesa diretora da Câmara para colocar em votação temas que façam seu governo ganhar alguma tração, garantindo mais um mandato no Palácio. Entretanto, a grande incógnita é o papel do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), elegendo seu sucessor ou perdendo. Por enquanto, Maia age como opositor, uma saída previsível por não ter aliança com Bolsonaro. Este já demonstrou, considerando a forma como se relaciona com generais, políticos e seguidores ideológicos, que espera dedicação exclusiva e obediência. O papel de Maia até fevereiro continua importante porque é ele quem decide o que vai plenário, ainda que esse período seja bem curto, com recesso no meio. A aproximação do fim do comando da casa o enfraquece, mas ele sabe articular e buscará os que se não se encaixam no projeto de Bolsonaro para 2022. Nesta semana, Maia afirmou que o Palácio está “desesperado” e que abriria Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Não o fez, explicou, porque o órgão decidiu autorizar vacinas de forma emergencial. O deputado também disse que o efeito prático da disputa será ampliar a oposição na Casa. Algo provável, mas o tamanho relevante desse grupo vai depender do fôlego do governo de dar cargos e verbas perto da renovação do Parlamento. O jogo de Maia depende muito de Lira, que se mostra competitivo, mas com fragilidades. O alagoano foi acusado de fazer rachadinha em seu estado e receber propina – notícias dessas áreas podem despontar nos próximos dois meses a ponto de constranger o Palácio. No placar do Estadão, Lira tem 171 apoios, contra 159 do grupo de Maia. Nessa conta não estão 50 indefinidos e 133 da oposição. Se Lira vencer, não está claro se será submisso ao Palácio, algo imprevisível por ser do Centrão. Segundo Maia, Lira é a arma de Bolsonaro para votar a pauta de costumes e manter fiel o eleitorado ideológico. Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, será uma oportunidade para aprovar as reformas. Seja qual for o vencedor, não estará mais em campo o Bolsonaro de 2018 que se dizia contrário à “velha política”.