Com taxa básica de 14% ao ano, o setor imobiliário se divide entre segmentos com resultados distintos. Um deles segue com vigor porque os programas federais garantem financiamento mais barato do que a Selic. O outro avançou menos porque o crédito a que acessa não tem subsídios e tem juros mais altos. Há ainda uma parte que vai bem, a da alta renda, que depende menos de empréstimos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No lado das empresas, as que produziram para o Minha Casa, Minha Vida e para o alto padrão expandiram os negócios. Entretanto, como A Tribuna mostrou no último sábado, o setor está cauteloso com a economia desacelerada pelos juros altos. A dúvida é se o Banco Central vai fazer um ou mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. De qualquer forma, isso não vai causar grandes modificações na Selic, que permanecerá salgada. Com um cenário de incertezas, agravado por uma guerra que puxa o preço do petróleo para cima e ameaça reanimar a inflação, o mercado imobiliário reduziu os lançamentos. Os dados não indicam uma crise. No Brasil, 680 mil imóveis foram financiados no primeiro semestre, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Isso equivale a R\$ 180,9 bilhões, alta de 23% sobre igual período do ano passado. Já na Baixada Santista, também de janeiro a junho, foram vendidos 1.895 imóveis, queda de 5% na mesma comparação, conforme pesquisa do Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis de São Paulo (Secovi-SP). Se for considerado o segundo trimestre, houve recuo de 28% sobre igual intervalo de 2025. Mas os lançamentos (imóveis na planta ou em construção) tiveram queda semestral mais acentuada, de 28%. O comportamento do mercado reflete as atuais incoerências do peso do estado na economia. O BC, que é uma instituição independente e guardiã da moeda, busca travar a economia por meio dos juros altos para derrubar a inflação. O Governo Lula, no rumo oposto e de olho na popularidade, estimula o crescimento por meio de estímulos, entre eles as taxas reduzidas dos financiamentos da casa própria. Essa estratégia deixa mais demorada a ação restritiva do BC. Por outro lado, é preciso reconhecer que a gestão federal retomou o crédito habitacional, que passou por altos e baixos nos anos anteriores, sem conseguir debelar a tragédia do déficit da casa própria. Sem moradias de boa qualidade, milhões de famílias permanecem em habitações precárias, expostas à miséria e à violência. A questão é se esse ritmo de aporte estatal será mantido ou, pelo menos, se continuará em patamar razoável para atender a sociedade e dar segurança para o investimento das empresas. Por isso, é fundamental haver estabilidade, garantindo fluxo de recursos para a construção. Isso beneficia os compradores, as construtoras, os bancos e o próprio governo, que não ficaria temporariamente sem dinheiro para esse fim, como já ocorreu não faz muito tempo.