(Vanessa Rodrigues) A Prefeitura de São Paulo estima que o Carnaval vai atrair 16 milhões de foliões e retorno econômico de R\$ 3,4 bilhões, enquanto no Rio de Janeiro a Riotur prevê geração de 50 mil empregos temporários e movimentação de R\$ 5,5 bilhões. São números que indicam que a festa se tornou um grande negócio para as cidades e, por esse motivo, ela deve ser devidamente explorada, não se esquecendo da importância de respeitar as tradições culturais regionais e a tranquilidade dos moradores, é claro, caso prefiram o sossego. Pelo menos nos últimos dez anos, o Carnaval passou por uma grande transformação. Do abandono das comemorações tradicionais em muitas cidades, inclusive em Santos, e do êxodo que se via nas metrópoles, como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, para a praia, os blocos renasceram arrastando multidões e os desfiles se sofisticaram. Brasília, Campinas e Curitiba, mesmo sem ter um Carnaval vibrante, caíram na febre dos bloquinhos e fixaram milhares de foliões, gerando negócios para quem sabe aproveitar esse filão. Os artistas, tanto as celebridades como os de raiz, descobriram um mercado de trabalho revigorado, ainda que sazonal, e de grande exposição nas redes sociais. Infelizmente são festas ameaçadas pela violência, pois a multidão atrai levas de marginais em busca de celulares e cartões de crédito. Porém, os blocos investiram na conscientização para evitar os furtos e a polícia, no caso de São Paulo, utiliza a tecnologia para identificar grupos em ação. Os roubos ocorrem em níveis elevados, mas o importante é que exista uma estrutura preventiva e de policiamento para que a criminalidade não acabe com esse novo Carnaval. As escolas de samba também mudaram, com a cobertura da TV Globo cada vez mais sofisticada, modernizando e profissionalizando essas agremiações no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em Santos, pelo terceiro ano seguido a TV Tribuna transmitiu a apresentação na Passarela Dráuzio da Cruz, ajudando a recuperar a paixão pelo Carnaval, que sofreu muitas décadas de decadência e que agora se vê em recuperação. Também é possível acompanhar a festa em Salvador e Recife, de riquíssima tradição carnavalesca, um turismo de alto valor agregado e rede hoteleira vasta, um exemplo para a Região Sudeste. Além disso, a cada ano, descobrem-se Carnavais regionais pelos vários cantos do País, com a divulgação da riqueza cultural local, algo que não se dá valor no Brasil, mas que é importantíssimo para a preservação dos costumes genuinamente locais. No fim das contas, o que se tem é um Carnaval diversificado para os vários públicos, dos que gostam das multidões e da farra, e dos comedidos ou das famílias. Paralelamente, muitos buscam apenas aproveitar o fim do verão na praia ou no Interior. Se o setor turístico se organizar cada vez mais e as prefeituras e governos estaduais oferecerem melhor infraestrutura, o Carnaval ainda vai gerar muita folia e negócios no País.