(Imagem gerada por IA) Limitações ao uso de redes sociais por adolescentes, tentativa de ampliar a regulação no Brasil e processos judiciais contra essas big techs nos Estados Unidos indicam que a sociedade identificou impactos nocivos das plataformas e que precisa combatê-los. Há um discernimento maior de que os pais precisam ficar atentos ao que seus filhos acessam pelas telas. Isso porque as crianças e jovens têm virado alvos de agressores sexuais, sofrem abusos digitais por bullying ou desafios perigosos ou são expostos a consumismo ou modismo prejudiciais. Portanto, as famílias devem buscar soluções urgentes, e isso implica questionar as companhias poderosas e gigantescas que estão por trás das redes sociais. O movimento mais forte nos Estados Unidos vem de ações judiciais que querem responsabilizar essas empresas por danos à saúde mental de crianças. O argumento é de que ficaram expostas a práticas viciantes, que houve o estímulo ao uso constante e que os conteúdos levaram à depressão ou suicídio e a distúrbios na alimentação. Ao depor na última quarta-feira em Los Angeles, o cofundador da Meta, Mark Zuckerberg, disse que sua empresa restringe o acesso de menores de 13 anos e que busca detectar quem tenta fraudar as restrições de idade. O próprio Zuckerberg disse que não se provou, por meio de trabalhos científicos, que as plataformas são viciantes. Entretanto, os críticos vão além da discussão sobre o vício apontado nesses processos judiciais, com pais e escolas questionando efeitos mais amplos na saúde mental. A alegação é de que essas companhias sabem que em algum momento esses usuários sem maturidade suficiente vão acabar acessando conteúdos inapropriados ou perigosos e que nada foi feito à altura disso. Nos Estados Unidos, segundo reportagem do jornal Valor Econômico, os julgamentos questionam o embasamento das redes sociais em leis que dizem que as empresas de tecnologia não podem ser responsabilizadas pelo que é divulgado nas plataformas. No Brasil, as normas se referem à moderação de conteúdo e à responsabilidade das empresas, que serão punidas se não cumprirem a remoção determinada por ordem judicial. Entretanto, o governo defende mais regras contra publicações violentas ou abusivas, seguindo exemplos da União Europeia. Já a Austrália se tornou mais conhecida por ser preventiva, mas de forma contundente, exigindo a desativação das contas dos menores de 16 anos. Fiscalizar proibições como na Austrália e o cumprimento de medidas restritivas pelas plataformas é altamente desafiador. Por outro lado, os resultados dos julgamentos nos EUA serão decisivos para definir as relações entre a sociedade e as big techs. Porém, em meio a tanta vulnerabilidade e risco que as crianças e adolescentes tendem a sofrer, os pais passam a ter grande responsabilidade tanto na educação do uso quanto para identificar eventuais crimes. É uma tarefa muito difícil e que exigirá o apoio dos governos, das escolas e de profissionais especializados.